Dez 3, 2024 |
No Parque Nacional de Gilé (PNAG) a reintrodução de 200 búfalos oriundos da Reserva de Marromeu mostra resultados impressionantes. Equipados com colares GPS, 20 destes animais (10% do total) são monitorizados em tempo real, permitindo estudar o seu comportamento e prevenir conflitos com comunidades locais.
Em Outubro, os búfalos percorreram 4.714,5 km no total, com uma média individual de 235,7 km. Este aumento de mobilidade deve-se à procura de alimento no final da estação seca, agravada pelos incêndios de vegetação.
No mesmo período, foram registadas 14.737 posições, concentradas sobretudo nas margens dos rios Lice e Mulela, que funcionam como barreiras naturais entre o parque e as áreas habitadas.
Os números foram registados pela equipa de conservação do Parque Nacional do Gilé e divulgados pela Fundação François Sommer.
Para mitigar os riscos de interação entre os búfalos e as populações locais, foram instaladas “barreiras virtuais”. Quando um búfalo equipado ultrapassa essas zonas, alertas automáticos são enviados às equipas de vigilância, que prontamente informam os habitantes sobre possíveis aproximações aos seus campos agrícolas.
Com uma área superior a 430.000 hectares, o Parque Nacional de Gilé é gerido em parceria pela Fundação François Sommer e o Governo Moçambicano. A operação de reintrodução dos búfalos contou ainda com o apoio da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e da BIOFUND, com financiamento da União Europeia.
Este programa destaca a importância do uso de tecnologia na conservação e ilustra como soluções inovadoras podem alinhar a protecção da vida selvagem com as necessidades das comunidades locais. Os búfalos, agora em plena exploração do seu novo território, simbolizam um esforço bem-sucedido de reequilíbrio ecológico e coexistência sustentável.


Foto: Fundação François Sommer e Parque Nacional do Gilé




