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África Austral ameaça saída da CITES devido a restrições à comercialização

Jun 4, 2024 |

Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe renovaram os apelos para que os estados membros se retirem da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES). A razão principal para esta posição é a recusa contínua da convenção em permitir a venda de marfim e outros produtos da vida selvagem que estes países possuem. Moçambique e outros Estados também tinham assumido uma posição semelhante no passado.

O apelo foi feito pelos delegados presentes na Cimeira de Chefes de Estado da KAZA 2024 – a Área de Conservação Transfronteiriça de Kavango-Zambeze (KAZA-TFCA), um santuário de vida selvagem de 520.000 quilómetros quadrados que abrange cinco países da África Austral que partilham fronteiras comuns ao longo das bacias dos rios Okavango e Zambeze – e que esteve reunido na capital zambiana de Livingstone.

De acordo com a Down to Earth, os apelos para uma retirada em massa da CITES, que conta com 184 países membros, foram feitos antes da chegada dos presidentes dos cinco países da África Austral que compõem esta que é a maior iniciativa de conservação do mundo.

Os delegados criticaram o que consideram ser uma intransigência da convenção em manter uma proibição total do comércio de marfim, negando assim aos cinco países o benefício de monetizar os seus vastos recursos de elefantes.

Estes países – Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe – juntamente com a África do Sul, abrigam mais de dois terços da população de elefantes africanos, estimada em cerca de 450.000. Estes países fazem parte dos 19 estados de alcance do elefante africano, dos quais o Botswana sozinho tem uma população de elefantes de 132.000, seguido pelo Zimbabwe com 100.000, enquanto outros números significativos estão na África do Sul, Zâmbia, Namíbia e Angola.

A ameaça de sair da CITES não é nova e Moçambique partilhou no passado de uma posição semelhante a este países. Na 19ª reunião da conferência das Partes da CITES, que teve lugar no Panamá em 2022, os estados da KAZA e outros cinco países da África Austral – Moçambique, Eswatini, Lesoto, África do Sul e Tanzânia – que também abrigam muitos elefantes, pressionaram pela abertura do comércio de marfim e outros produtos de elefantes.

As enormes concentrações de elefantes em alguns países do sul de África são apontadas como responsáveis pela perda de habitat e pelo aumento de incidentes de conflito entre humanos e vida selvagem.

Além disso, os países da África Austral têm argumentado que a monetização dos seus recursos de vida selvagem ajudaria a financiar os seus esforços de conservação. No entanto, este pedido foi novamente rejeitado pelos delegados da CITES. Esta recusa enfureceu os países africanos, resultando na declaração de uma disputa com a CITES por parte dos 10 países.

Foto: News.wttw

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