Set 17, 2024 |
A African Parks levou a cabo uma inovadora iniciativa de conservação com a colocação de etiquetas de rastreamento satélite com o objectivo de monitorizar e assim melhor proteger a população de Dugongos existente no Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto (PNAB). Esta operação é o primeiro rastreamento via satélite realizado nesta espécie em África.
Esta ação, liderada pela African Parks, em colaboração com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e a australiana Universidade James Cook, tem como objectivo recolher dados essenciais para proteger os dugongos, uma espécie classificada como Criticamente Ameaçada de extinção.
Onze dugongos – sete machos e quatro fêmeas – foram, segundo a Discover Wildlife, capturados e etiquetados nas águas do Bazaruto. Este parque é conhecido por abrigar a última população viável de dugongos na costa oriental de África, uma subpopulação estimada em menos de 250 indivíduos.
No passado, os dugongos eram abundantes em toda a costa oriental africana, desde a Somália até ao sul de Moçambique, mas a destruição de habitats e a pesca ilegal reduziram drasticamente os seus números.
Evan Trotzuk, Coordenador de Investigação da African Parks no Bazaruto, sublinhou a gravidade da situação: “a subpopulação de Bazaruto constitui pelo menos 90% da população de dugongos remanescente na África Oriental. A extinção do dugongo é provavelmente inevitável na África Oriental, a menos que a perda da subpopulação de Bazaruto possa ser evitada”.
Os dugongos, também conhecidos como vacas-marinhas, desempenham um papel crucial na saúde das pradarias marinhas, um habitat vital para várias espécies marinhas e para a subsistência das comunidades locais. Estas pradarias, além de fornecerem alimento aos dugongos, contribuem para a captura de carbono, desempenhando um papel importante no combate às alterações climáticas.
A pesca com redes de emalhar, uma prática proibida no interior do PNAB, representa uma das maiores ameaças à sobrevivência dos dugongos. Estas redes podem capturar e afogar os animais acidentalmente. Além disso, as redes de arrasto degradam as pradarias marinhas, reduzindo a disponibilidade de alimento para os dugongos. A gestão do parque tem trabalhado com as comunidades piscatórias para reduzir o uso dessas práticas e minimizar o impacto sobre a vida marinha.
Outro desafio enfrentado pela população de dugongos é a destruição das pradarias marinhas devido à poluição e ao desenvolvimento costeiro. A perda desses habitats pode comprometer a sobrevivência a longo prazo da espécie, já que o alimento é escasso e a reprodução é afectada negativamente.
A etiquetagem dos dugongos faz parte de um esforço contínuo para entender melhor os seus padrões de migração e alimentação. Os dispositivos de rastreamento fornecerão informações vitais sobre as áreas que os dugongos utilizam fora do parque, onde estão mais expostos a ameaças. Moçambique planeia expandir as suas áreas marinhas protegidas de 2% para até 12% nos próximos anos, e os dados recolhidos ajudarão a identificar zonas prioritárias para a conservação.
O processo de colocação das etiquetas foi complexo e exigiu um planeamento cuidadoso. Ao contrário de outras espécies, os dugongos não podem ser sedados durante a operação, o que torna o procedimento mais delicado. A equipa local foi treinada por especialistas da Universidade James Cook para realizar o trabalho, e nove funcionários do parque adquiriram as competências necessárias para continuar o processo de forma autónoma no futuro.
Lorena Matos, Coordenadora Assistente de Investigação da African Parks, destacou a evolução da operação: ‘“a operação de etiquetagem foi difícil no início, especialmente devido às diferenças linguísticas de algumas pessoas da equipa”. “Depois do terceiro dugongo ter sido marcado, estávamos mais preparados e confortáveis com o processo. Foi uma grande experiência e temos orgulho em dizer que a equipa do Bazaruto pode colocar dispositivos de localização nos dugongos – uma estreia em África”, acrescentou
Este projeto é um passo decisivo para garantir a sobrevivência dos últimos dugongos de África. Os dados recolhidos não só ajudarão a proteger esta espécie ameaçada, como também contribuirão para a conservação dos ecossistemas marinhos que são fundamentais para a biodiversidade e o sustento das comunidades costeiras. O futuro da espécie depende de ações como esta, que visam garantir a preservação de habitats cruciais e a implementação de medidas de protecção mais abrangentes.



Fotos e vídeo: Andy Coetzee/African Parks
Vídeo: African Parks




