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African Parks coloca transmissores em tartarugas do Bazaruto para evitar redes de pescadores

Mai 12, 2023

O Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto, localizado ao largo da costa de Moçambique, tem uma enorme diversidade de vida marítima, incluindo as tartarugas marinhas. Contudo, nos últimos anos, pescadores locais têm relatado regularmente o emaranhamento dessas tartarugas nas suas redes de pesca. Essa interação não apenas compromete a pesca que é o sustento daqueles pescadores, como também coloca aqueles animais em risco de afogamento.

De acordo com a African Parks (AP), que gere esta área protegida, uma equipe de investigadores está a trabalhar em estreita colaboração com os pescadores locais para encontrar uma solução no Bazaruto. Recentemente, esta equipa de cientistas identificou e resgatou sete tartarugas marinhas que estavam presas em redes de pesca.

Essas tartarugas foram devidamente marcadas com transmissores de satélite de alta resolução de forma a monitorizar os seus movimentos e, através das informações recolhidas, ajudar a mitigar os riscos tanto para as tartarugas como para os pescadores.

Segundo a AP a equipa de investigadores conseguiu marcar quatro tartarugas-verdes, duas tartarugas-cabeçudas e uma tartaruga-de-pente, marcando a primeira vez que tartarugas capturadas na água foram marcadas com rastreadores de satélite em Moçambique. Até agora apenas tartarugas adultas que nidificaram na praia tinham sido marcadas.

Através desses novos dados, os pesquisadores esperam compreender melhor como é que as tartarugas usam as áreas que se sobrepõem às zonas de pesca e usar essas informações para evitar futuros emaranhamentos.

Os dispositivos de rastreamento fornecem dados precisos de localização, que podem ser usados para criar mapas e identificar áreas onde as tartarugas provavelmente são encontradas. Ao compartilhar essas informações com os pescadores, estes podem evitar a pesca nessas áreas e reduzir o risco de emaranhamento.

Além disso, a equipa de investigadores espera identificar possíveis “pontos críticos” para o emaranhamento de tartarugas e trabalhar com as comunidades locais para desenvolver e implementar estratégias de mitigação.

O resgate e a marcação destas sete tartarugas marinhas é, para a AP, apenas o início deste esforço conjunto uma vez que, com os dados coletados dos rastreadores de satélite, os pesquisadores podem desenvolver uma melhor compreensão dos movimentos e comportamentos das tartarugas, trabalhando assim para um futuro sustentável tanto para as tartarugas quanto para os pescadores. O esforço colaborativo entre a equipa de investigadores e as comunidades locais de pesca destaca a importância de trabalhar em conjunto para encontrar soluções para problemas ambientais complexos.

O Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto foi a primeira área de conservação marinha criada em Moçambique, em 1971. Localiza-se ao longo da costa dos distritos de Vilankulo e Inhassoro, na província de Inhambane, abrangendo as ilhas de Bazaruto, Benguerra, Magaruque, Santa Carolina e Bangué.

O Bazaruto é o primeiro parque marinho a ser gerido pela African Parks. Abrange uma área de 1.430 km² de paisagem marítima produtiva, conectada por uma cadeia de cinco ilhas. alberga a maior população viável de dugongos da costa oriental de África.

A African Parks trabalha de forma conjunta com as autoridades locais como a Autoridade Marítima e polícia local e garante um patrulhamento regular através de 53 guardas-florestais para conter atividades ilegais na região.

Ver vídeo aqui.

Foto: Frame do Video/African Parks

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