Ago 19, 2025 |
No porto de pesca de Namibe, um grupo de investigadores e membros da comunidade local trabalha lado a lado com um objectivo comum: proteger tubarões, raias e os ecossistemas marinhos que sustentam a vida costeira: o Angola Elasmo Project.
O Angola Elasmo Project é a primeira iniciativa no país dedicada exclusivamente à investigação, educação e conservação de elasmobrânquios, nos quais se incluem as diversas espécies de tubarões e raias, como conta a Fundação Save Our Seas.
Criado para aproximar a ciência das populações que vivem do mar, o projecto nasceu com o apoio de pescadores, estudantes universitários e voluntários. A combinação entre o saber tradicional destas comunidades e as ferramentas da investigação científica tem sido decisiva para o êxito da iniciativa.
Do ponto de vista científico, o Angola Elasmo Project realiza monitorizações regulares nas zonas de desembarque, identificando as espécies capturadas, medindo exemplares e recolhendo amostras biológicas para análise genética e estudo da dieta. Estes dados permitem avaliar o estado das populações de tubarões e raias, compreender padrões de migração e detectar possíveis alterações na biodiversidade marinha. A informação obtida é partilhada com instituições nacionais e internacionais, servindo de base para recomendações de gestão e conservação adaptadas à realidade angolana.
Nas zonas de desembarque, muitas mulheres assumem um papel essencial. Durante o processamento do pescado, colaboram na recolha de amostras para o estudo das espécies, assegurando simultaneamente o sustento das suas famílias. Este trabalho de proximidade tem permitido recolher dados fundamentais para compreender a biodiversidade marinha ao longo da costa angolana.
O Angola Elasmo Project não se limita à investigação. Desde a sua criação, organiza acções de sensibilização, palestras e campanhas informativas directamente nos bairros piscatórios. Jovens que começaram por curiosidade estão hoje treinados na identificação de espécies, recolha de dados e trabalho de campo, tornando-se agentes activos de conservação nas suas próprias comunidades.
A relação com as comunidades piscatórias é um dos pilares da iniciativa. Os pescadores ajudam a localizar locais de desembarque, comunicam capturas relevantes e partilham o seu profundo conhecimento do mar. Esta colaboração tem sido determinante para registar a presença de diversas espécies, promovendo práticas de pesca mais sustentáveis.
Este ano, o projecto recebeu um importante impulso: foi distinguido com um Keystone Grant da Fundação Save Our Seas. O financiamento permitirá ampliar a investigação, o trabalho educativo e as acções de sensibilização, formando mais estudantes, envolvendo mais pescadores e chegando a novas comunidades costeiras.
A equipa reconhece que o sucesso depende, em grande parte, da confiança e apoio da população de Namibe. Pescadores, jovens voluntários, autoridades locais e famílias têm sido parceiros activos.
Segundo os responsáveis, o caminho para uma conservação eficaz passa por soluções que nasçam e cresçam dentro das próprias comunidades. O futuro, afirmam, poderá ser promissor — não só para os tubarões e raias, mas também para as pessoas que deles dependem para sobreviver.

Fotos: Fundação Save Our Seas




