Out 8, 2024 |
As áreas de conservação em Moçambique registaram um recorde histórico de receitas em 2023, com um total de 226 milhões de meticais (aproximadamente 3,2 milhões de euros), de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Este valor ultrapassa os resultados de 2022, que haviam sido de 221 milhões de meticais (cerca de 3,1 milhões de euros), e representa um aumento significativo em relação aos 149 milhões de meticais (2,1 milhões de euros) arrecadados em 2021.
O relatório de Indicadores Básicos do Ambiente de 2023, a que a agência Lusa teve acesso como reporta a Carta de Moçambique, evidencia uma recuperação das receitas provenientes das áreas de conservação, após o impacto das restrições impostas pela pandemia de covid-19.
Em 2020, as receitas caíram drasticamente para 68 milhões de meticais (cerca de 955 mil euros), muito abaixo dos 181 milhões de meticais (2,5 milhões de euros) registados em 2019.
Moçambique conta com 11 parques nacionais, que ocupam um total de 48.900 quilómetros quadrados, sendo o maior o Parque Nacional do Limpopo, na província de Gaza, com uma área de 11.233 quilómetros quadrados. Além dos parques, existem ainda sete reservas e áreas protegidas, somando mais 65.114 quilómetros quadrados de território destinado à conservação da biodiversidade.
Segundo o relatório do INE, em 2023, 205.375 pessoas viviam no interior das áreas protegidas de Moçambique, distribuídas por 162 comunidades. Nas zonas tampão adjacentes aos parques e reservas, viviam 501.737 pessoas em 504 comunidades.
O Parque Nacional de Maputo destacou-se em 2023, ao atingir um recorde de cerca de 20.000 visitantes. Este aumento foi impulsionado pelos esforços de recuperação e investimentos contínuos, conforme afirmou o administrador do parque, Miguel Gonçalves, em entrevista à Lusa.
“Foi o melhor ano de sempre em termos de visitantes. Em termos de atividades marinhas ainda estamos a recuperar, o melhor ano em termos de número de mergulhadores, número de pessoas que vieram observar mamíferos marinhos, foi em 2017, mas estamos a chegar aos níveis em que estávamos antes da covid-19” revelou Gonçalves.
A proximidade do parque com a capital moçambicana e com cidades sul-africanas, como Durban e Joanesburgo, bem como a abertura da Ponte de Katembe em 2018, facilitaram o acesso e contribuiram para o crescimento constante do turismo.
Miguel Gonçalves destacou que, com excepção do período da pandemia, o número de visitantes tem aumentado entre 10% e 15% anualmente nos últimos 15 anos, com um aumento de 22% em 2023 comparado ao ano anterior. O administrador vê no turismo uma aposta estratégica fundamental para o futuro do parque, referindo que a infraestrutura turística já inclui acampamentos bem equipados e três ‘lodges’, dois dos quais de cinco estrelas.
Com as suas icónicas girafas e elefantes frequentemente avistados ao longo da Estrada Nacional 1 (N1), o Parque Nacional de Maputo continua a atrair visitantes e a consolidar-se como um destino de excelência, combinando as belezas do mar e da terra.
O parque, que foi oficialmente estabelecido em Dezembro de 2021, é fruto da fusão da Reserva Especial de Maputo e da Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro, ambas áreas protegidas com uma rica história de conservação.
A tendência crescente de receitas e de turistas sublinha o potencial de Moçambique como um destino turístico de natureza, contribuindo não só para a economia nacional, mas também para a protecção da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável das comunidades locais.
Foto: Peace Parks Foundation




