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Kambaku

Baleias Jubarte reúnem-se em supergrupos na costa oeste da África Austral

Jun 16, 2025 |

Um fenómeno impressionante e ainda pouco compreendido está a desenrolar-se nas águas frias da costa oeste da África Austral: enormes ajuntamentos de baleias-jubarte, compostos por vinte ou mais indivíduos.

Estas concentrações, conhecidas como “supergrupos”, em intensa actividade alimentar, têm vindo a surgir com frequência crescente durante os meses de Verão austral, observadas desde 2011 no ecossistema da Corrente de Benguela Sul.

Os investigadores acreditam que estas formações podem estar associadas a uma maior produtividade biológica marinha, em especial a anomalias positivas de clorofila-a, que indicam elevada presença de fitoplâncton – a base da cadeia alimentar oceânica. Estas alterações estariam, por sua vez, relacionadas com uma menor exportação de águas costeiras, o que favorece a permanência dos nutrientes na zona.


Uma das limitações do modelo baseado em áreas de reprodução para definir a estrutura populacional das baleias é que indivíduos de um determinado estoque podem migrar por múltiplas áreas de reprodução. Esse é o caso, por exemplo, de animais que utilizam principalmente as áreas de Moçambique, Madagascar e as Ilhas Mascarenhas.

Num estudo recentemente aceite para publicação na revista Marine Mammal Science, uma equipa internacional liderada por Elwen Seyboth e colegas compila registos obtidos entre Julho de 2015 e Junho de 2022 através de cruzeiros científicos, operadores de observação de cetáceos e contributos de cidadãos atentos ao mar.

No total, foram documentados 239 encontros com supergrupos de baleias-jubarte, todos com estimativa mínima de 20 indivíduos por grupo. As observações indicam que estes supergrupos ocorrem entre Agosto e Abril, com maior frequência de Outubro a Janeiro. Em comparação com dados anteriores, nota-se um alargamento do período em que estas formações acontecem, o que poderá reflectir alterações ecológicas mais amplas na região.

Contudo, os próprios autores alertam para a necessidade de prudência na interpretação dos dados, uma vez que o esforço de observação não foi uniforme ao longo dos anos. Ainda assim, os resultados revelam padrões consistentes na formação destes agregados massivos de cetáceos e sublinham a importância de uma recolha de dados mais sistemática, colaborativa e coordenada.

O estudo lança um apelo à comunidade científica e à sociedade civil para se aprofundar a compreensão deste fenómeno que, para além de fascinante, poderá servir de indicador das mudanças ecológicas em curso no Atlântico Sul. As gigantes do mar continuam a surpreender, e cada aparição em grupo é um lembrete da riqueza e complexidade dos nossos oceanos.

Foto: reseaucetaces.fr | Info: Marine Mammal Science

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