Set 15, 2026 |
O Bazaruto Center for Scientific Studies vai colocar marcas de satélite em seis a oito tubarões-martelo entre Outubro e Dezembro.
A campanha decorre no Arquipélago de Bazaruto e estende-se da plataforma exterior às águas oceânicas, com regresso diário à estação da Ilha de Benguerra para tratamento dos dados, de acordo com o Bazaruto Center for Scientific Studies.
A instituição sublinha que o número de marcas efectivamente colocadas não pode ser garantido, por depender dos encontros com os animais, do estado do mar, do equipamento e dos protocolos de bem-estar animal.
Segundo a mesma fonte, as marcas são do modelo MiniPAT-430, marcas de arquivo destacáveis fabricadas pela Wildlife Computers e usadas desde 2024 num trabalho conjunto com o instituto francês IFREMER.
Findo um período programado, ou em caso de libertação antecipada, o dispositivo solta-se do animal, sobe à superfície e transmite por satélite os dados recolhidos, entre eles deslocações horizontais, comportamento de mergulho, profundidades utilizadas e temperatura da água. A vantagem apontada face à telemetria acústica é, para a organização, evidente, uma vez que esta última só detecta o animal quando passa perto de receptores submersos e perde-lhe o rasto assim que sai dessa rede.
O interesse científico da operação prende-se com a escassez de informação sobre os movimentos destas espécies no Índico Ocidental. O estado de conservação ajuda a explicar a urgência. De acordo com a Convenção sobre Espécies Migradoras, o tubarão-martelo-recortado está inscrito no Apêndice II desde 2014, e os declínios de abundância registados no conjunto das espécies de martelo situam-se entre 60 e 99 por cento, com a procura de barbatanas e a captura acessória em alto mar como principais causas.
O programa é desenvolvido através do Observatório do Oceano do BCSS, com o Kisawa Sanctuary e o IFREMER, e junta a marcação por satélite a séries longas de observação ambiental recolhidas no arquipélago desde 2019. A instituição, criada em 2017 e sediada em Benguerra, avisa que não divulgará trajectos detalhados, localizações sensíveis nem resultados biológicos ainda não publicados antes da revisão por pares.
Para esta época, o centro abriu um número limitado de lugares no seu programa de formação científica, dirigido a estudantes e jovens investigadores, com o manuseamento dos animais e a colocação das marcas reservados a pessoal autorizado.

Fotos: BCSS / Orlando Miranda & Salvador Colvee




