Set 24, 2024 |
A tecnológica Satlink vai expandir o seu “Projecto ReCon” a Moçambique em parceria com o Bazaruto Center for Scientific Studies. Esta iniciativa de economia circular, visa dar uma nova utilização a bóias de eco-sonda anteriormente usadas na pesca de atum tropical e que passarão a ser usada em investigação oceanográfica.
A colaboração, anunciada pela Satlink e pelo BCSS através de comunicado enviado à KAMBAKU, permitirá ampliar a área de cobertura do projecto no Oceano Índico em mais de 2.700 km.
Com este acordo, as bóias recolhidas e recuperadas serão integradas nos estudos do Observatório Oceânico do BCSS, localizado nas águas ocidentais do Índico. O objectivo é evitar que estas bóias se tornem resíduos tecnológicos, ao mesmo tempo que se utilizam para reforçar a monitorização de dados oceanográficos, contribuindo para a conservação dos habitats marinhos nesta região.
As bóias serão utilizadas para aprofundar a recolha de dados sobre a temperatura do oceano, a química da água e a biomassa marinha, através de estudos de séries temporais que permitirão avaliar a evolução das condições ambientais e o seu impacto na vida marinha.
O Projecto ReCon, que a tecnológica espanhola Satlink lançou em colaboração com a ONG australiana Tangaroa Blue Foundation, já opera em mais de 10 países, nos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico.
Além de Moçambique, o projecto está presente em locais como Austrália, Cabo Verde, Papua Nova Guiné, Micronésia, e Ilhas Marshall, demonstrando o seu alcance global. A iniciativa também conta com a colaboração de várias organizações ambientais e da indústria da pesca, envolvendo mais de 150 navios e 25 empresas.
Equipadas com eco-sondas, as bóias detectam a biomassa existente debaixo de água, tornando-as valiosas para estudos científicos. Com tecnologia GPS incorporada, também podem ser usadas para seguir detritos marinhos, monitorizar embarcações artesanais, rastrear tubarões e melhorar sistemas de segurança marítima.
Mario Lebrato, responsável científico do Observatório Oceânico do BCSS, realçou a importância deste projecto: “este acordo permitir-nos-á incorporar a tecnologia de ponta incluída nas bóias inteligentes de alta tecnologia nos nossos projectos de observação e investigação científica, contribuindo ao mesmo tempo para eliminar potenciais resíduos ambientais”.
Desde o seu início, em Dezembro de 2022, o Projecto ReCon já permitiu à Tangaroa Blue Foundation recolher mais de seis toneladas de detritos no litoral australiano. Kathryn Gavira, directora de ciência e sustentabilidade da Satlink, sublinhou que a entrada do BCSS no projecto está em total alinhamento com a missão de ReCon: “é particularmente gratificante para a Satlink acolher a BCSS no Projeto ReCon. Este acordo representa a essência do ReCon: dar às bóias de pesca uma segunda vida para além da sua utilização original, para fins científicos e ambientais. Além disso, neste caso, com uma finalidade totalmente alinhada com o nosso objetivo de contribuir para o conhecimento dos oceanos”.
Este projecto faz parte da estratégia de sustentabilidade da Satlink, que já foi premiada com o “Tuna Awards 2023” pelo seu contributo inovador para a pesca sustentável, além de outras distinções atribuídas pelas Nações Unidas e pela União Europeia.

Fotos: BCSS




