Abr 21, 2026|
O Bazaruto Center for Scientific Studies (BCSS) reforçou em 2025 o seu contributo para a ciência oceânica com a criação de um Ocean Observatory de acesso aberto que cobre cerca de 7.000 km² do Oceano Índico.
A infraestrutura integra sistemas de monitorização em tempo real que já recolheram mais de 20 milhões de dados sobre química oceânica, parâmetros físicos, biodiversidade e utilização de habitats por espécies ameaçadas, afirmando-se como uma das maiores plataformas científicas regionais orientadas para ciência aberta, de acordo com o relatório do BCSS enviado à KAMBAKU.
Na área da monitorização acústica e oceanográfica, o BCSS acumulou entre 2023 e 2025 cerca de 20.260 horas de dados subaquáticos, incluindo 2.190 horas só em 2025, com operação de 23 equipamentos no mar e 12 estações de monitorização que registaram mais de 90 mil dados ambientais.
A monitorização da biodiversidade marinha resultou em mais de 1.000 levantamentos de megafauna, 6.486 horas de observação no mar e mais de 26.000 animais estimados, incluindo 52 espécies, das quais 23 ameaçadas. Em mergulho científico, foram realizados 575 mergulhos, com registo de 49 espécies e cerca de 100.000 indivíduos observados.
O programa de identificação de baleias-jubarte permitiu identificar 78 indivíduos ao longo de cinco anos, incluindo 41 novos registos em 2025, com confirmações de ligações migratórias fora de Moçambique.
Na investigação de espécies ameaçadas, o BCSS aplicou tecnologia de marcação por satélite em tubarões-martelo-recortados e um tubarão-zebra, numa iniciativa pioneira no Oceano Índico para estas espécies criticamente ameaçadas.
No combate à poluição marinha, foram removidos 502 kg de resíduos em 12 limpezas de praia, maioritariamente plásticos, contribuindo para a proteção dos habitats e da megafauna.
Ao nível científico, o BCSS participou em fóruns internacionais, publicou dois artigos peer-reviewed e manteve vários estudos em preparação, reforçando o seu papel na produção de conhecimento relevante para a gestão marinha.
Na comunicação e impacto global, registou mais de 120 peças mediáticas em mais de 15 países e recebeu 19 jornalistas, consolidando a ligação entre ciência, conservação e turismo sustentável.
O modelo Kisawa–BCSS manteve ainda forte impacto local, com 88% dos colaboradores moçambicanos, mais de 50 programas de formação e redução de cerca de 300 toneladas de CO2.
Para Mario Lebrato, cientista chefe do BCSS, “reforçámos o nosso compromisso com as pessoas e com as parcerias. Alargámos as oportunidades de formação, apoiámos cientistas em início de carreira e aprofundámos a colaboração com instituições nacionais e internacionais. O reforço da capacidade científica local continua a estar no centro de tudo o que fazemos. O nosso trabalho em 2025 reforçou também a ligação entre biodiversidade, resiliência climática e finanças sustentáveis. Ao alinhar a nossa investigação com os quadros emergentes de desenvolvimento sustentável e de reporte de impacto, ajudámos a consolidar a base científica para um desenvolvimento responsável da economia azul”.
“Olhando para o futuro, o nosso foco é claro: aprofundar a integração de dados, expandir a monitorização regional, reforçar a modelação preditiva e garantir que a nossa ciência continua a ser aberta, credível e relevante. Acima de tudo, mantemo-nos empenhados em transformar conhecimento em ação”, acrescentou.
Para 2026, o BCSS pretende consolidar o Ocean Observatory como plataforma científica aberta, expandir a monitorização e produzir cerca de 20 publicações, mantendo a meta de neutralidade carbónica até 2030.
Foto: BCSS




