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Kambaku

Bienal de arte contemporânea africana Dakar’Art com o planeta em foco

Dez 3, 2024 |

A 15ª edição da Bienal de Arte Contemporânea Africana, conhecida como Dak’Art, está em pleno curso em Dakar, destacando-se como um dos mais importantes eventos de arte do continente. O tema central deste ano, The Wake – L’Éveil (“O Despertar”), explora questões de trauma, humanidade e a relação com o planeta.

Realizada desde 1992, esta bienal é um marco para a celebração da criatividade africana, reunindo artistas, curadores e entusiastas da arte de todo o mundo. A bienal, que se realiza no antigo Palácio da Justiça de Dakar, apresenta uma vasta exposição que se desdobra entre escultura, instalação e performance, refletindo sobre os impactos ambientais e sociais na vida contemporânea.

Kara Blackmore, antropóloga e curadora associada do evento, destacou o carácter inclusivo desta edição: “qualquer pessoa que tenha estado na bienal sabe que se trata de um encontro importante de artistas, curadores, académicos e profissionais da cultura. Mas esta edição é especialmente única na sua forma de generosidade e inclusão. Tudo é gratuito e aberto ao público”, diz.

De acordo com o The Conversation, no coração do evento, os visitantes são guiados por exposições que abordam elementos naturais como água, terra e ar, culminando na devastação provocada pela humanidade. No pátio principal, esculturas imponentes de artistas como Sokari Douglas Camp (Nigéria) e Sonia Elizabeth Barrett (Jamaica) dão o tom à experiência.

Dentro do espaço expositivo, trabalhos de quase 50 artistas contemporâneos enchem os corredores outrora ocupados por gabinetes. Esculturas, instalações e performances criam uma narrativa que conecta o público às questões urgentes de colapso ecológico e social.

A curadoria desta edição foi marcada pela colaboração entre curadores e artistas que exploram as consequências da violência ambiental e social. A exposição central, We Will Stop When the Earth Roars (“Pararemos Quando a Terra Rugir”), reúne trabalhos de Laeïla Adjovi, Beya Gille Gacha e Cléophée R.F. Moser, entre outros, para confrontar temas como o extrativismo, o consumo desmedido e o neocolonialismo.

Entre os destaques está Fil(s) de soi(e), de Agnés Brezephin (Martinica), que utiliza fios e botões para explorar a relação entre corpo e memória. Outra obra marcante é a instalação da haitiana Gina Athena Ulysse, que mistura textos arquivísticos, calabaças e búzios para abordar os legados da escravatura transatlântica.

Foto: menafn.com

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