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Kambaku

BIOFUND: 3ª Conferência da Biodiversidade Marinha reforça ligação de ciência, comunidades e Estado

Set 8, 2025 |

A Beira acolheu a 3.ª Conferência da Biodiversidade Marinha, que durante dois dias juntou governo, cientistas, parceiros e comunidades para debater soluções urgentes para a conservação costeira e oceânica em Moçambique.

Na abertura oficial, o Presidente do Conselho de Administração da BIOFUND, Carlos dos Santos, destacou a centralidade da biodiversidade marinha para o futuro sustentável do país, sublinhando que a conferência nasceu como uma plataforma de diálogo entre ciência, políticas públicas e comunidades.

O evento contou presença do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo que reafirmou que Moçambique, sendo uma nação oceânica, tem na economia azul um pilar para o crescimento inclusivo, sobretudo para jovens e mulheres. Recordou ainda a meta global de proteger 30% das áreas terrestres e marinhas até 2030, assumida pelo país no quadro da Convenção da Diversidade Biológica, de acordo com a BIOFUND.

O primeiro dia da conferência foi marcado por debates técnicos sobre os ecossistemas costeiros mais estratégicos para a resiliência climática, como mangais, ervas marinhas, recifes de coral e dunas. Foi igualmente salientado o impacto de actividades humanas, desde a indústria extractiva ao turismo, e defendida a necessidade de reforçar os Conselhos Comunitários de Pesca.

Investigadores apresentaram novos dados científicos, incluindo a presença da espécie invasora de camarão Metapenaeus dobsoni e a descrição de um parasita inédito nos mangais da Ilha da Inhaca. Também se discutiu a expansão das Áreas de Conservação Marinhas, a co-gestão com comunidades e soluções de financiamento inovadoras, como Blue Bonds e créditos de carbono azul.

O segundo dia da conferência teve início com a apresentação, pelo Presidente do Conselho Municipal da Beira, Albano Carige, do Projecto Espaço de Infra-estruturas Verdes do Chiveve, um corredor ecológico urbano que alia drenagem, lazer, mobilidade sustentável e educação ambiental. O projecto foi apresentado como exemplo concreto de como integrar natureza e cidade, reduzindo riscos climáticos e criando novas oportunidades de emprego verde.

Os debates seguintes centraram-se na adaptação baseada em ecossistemas, no papel do sector privado e das comunidades na conservação, e na valorização do conhecimento tradicional como complemento à ciência moderna. Iniciativas locais de ecoturismo, produção de mel, cultivo de algas e restauração de mangais foram apresentadas como soluções eficazes para gerar rendimentos e reduzir a pressão sobre os recursos pesqueiros.

Na sessão de encerramento, o Secretário de Estado do Mar e Pescas, Momade Juízo, reafirmou a visão “Nosso mar, nosso futuro”, defendendo a expansão das Áreas de Conservação Marinhas e o envolvimento das comunidades como pilares de uma conservação sustentável.

Foi igualmente anunciado que a 4.ª edição da conferência terá lugar na Província de Inhambane. Segundo números preliminares, participaram no encontro 694 pessoas presencialmente e mais de 20 mil via online, o que confirma a crescente relevância do evento enquanto espaço de debate e mobilização em torno da biodiversidade marinha.

Fotos: BIOFUND

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