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Café da Gorongosa beneficia 800 famílias de comunidades locais e trava desflorestação

Out 4, 2023 |

Após seis anos de colaboração, o acordo de cooperação técnica trilateral entre Moçambique Brasil e Portugal para o projecto “Desenvolvimento Sustentável do Café no Parque Nacional Gorongosa/Moçambique em Sistema Agroflorestal Integrado no Contexto da Deflorestação, Alterações Climáticas e Segurança Alimentar”, também conhecido como Projecto Gorongosa, terminou a sua primeira fase tendo impactado positivamente a vida de mais de 800 famílias de agricultores daquela comunidade local.

O acordo, firmado em dezembro de 2017 com o objectivo de mitigar os efeitos da deflorestação na região que simultaneamente aumentava o rendimento e a segurança alimentar das comunidades locais em situação de vulnerabilidade social garantiu a produção de café de alta qualidade e orgânico, cultivado no Parque Nacional de Gorongosa.

De acordo com a Grafitti News, o coordenador do projecto, Fábio Luiz Partelli, houve avanços significativos na produção sustentável de café pelas comunidades envolvidas. No início do projecto, a produção anual de café não ultrapassava 1,5 toneladas, mas actualmente as comunidades produzem aproximadamente 20 toneladas por ano.

Segundo a mesma fonte Partelli destaca que o projecto não se limitou à produção de café, mas também incluiu a partilha de orientações técnicas e a formação de técnicos de campo, mestrandos e doutorandos numa região carente de recursos financeiros, educação e assistência. Além disso, o projecto resultou na publicação do primeiro livro sobre café em Moçambique, juntamente com a produção de diversos artigos científicos, dissertações e teses motivadas por esta experiência.

Apesar de o café produzido em Moçambique actualmente ser da variedade arábica, o projecto tem planos de introduzir a variedade conilon/robusta (Coffea canephora) ainda este ano, uma área na qual a Unidade Federal do Espírito Santo (Ufes) tem uma larga experiência em pesquisas científicas.

Está ainda em análise a possibilidade de realizar uma segunda fase do projecto, visando a continuidade dos benefícios alcançados.

A equipa responsável pelo projecto é coordenada pelo professor da Ufes Fábio Luiz Partelli. Além Ufes a equipa é composta pelo Instituto Superior de Agronomia (ISA) da Universidade de Lisboa e pelo Parque Nacional da Gorongosa. A equipa de coordenação e financiamento inclui a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), o Ministério das Relações Exteriores, a Administração Nacional de Áreas de Conservação (ANAC), o Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural de Moçambique, e o Camões Instituto da Cooperação e da Língua de Portugal.

Segundo informação veiculada recentemente pela Gorongosa, em 2022, os agricultores locais plantaram mais de 260.000 árvores de café e 20.000 árvores indígenas como parte do projecto de restauração da floresta tropical do Parque. Hoje, existem 815.000 árvores de café numa área de 243 hectares, com quase 1.000 agricultores em pequena escala (40% mulheres), que transformam grãos de café torrado em uma fonte de renda sustentável. Segundo o PNG, “todos os lucros são cuidadosamente utilizados para apoiar os nossos esforços de restauração da vida selvagem e do parque, criar empregos e financiar a assistência médica e a educação local”.

Vejo no vídeo em baixo o documentário Coffe for Water produzido pela Wild Hope.

Foto: Parque Nacional da Gorongosa

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