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Café dá renda a mais de cinco mil agricultores locais em Moçambique

Jul 1, 2024 |

O primeiro festival dedicado exclusivamente ao café juntou os principais actores de uma actividade agrícola que conta já com mais de cinco mil agricultores locais e mais de dez empresas distribuídas pelas províncias de Maputo, Sofala, Manica, Tete, Zambézia e Cabo Delgado.

O festival, que decorreu em junho, ocorreu num momento em que a produção de café tem ganho cada vez mais notoriedade em Moçambique e nos mercados internacionais. O festival foi uma parceria entre o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER), o projecto MozBio2, a Organização Internacional do Café (ICO), a Associação Moçambicana de Cafeicultores (AMOCAFÉ), a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento, naquele que foi o primeiro Festival do Café de Maputo.

Entre as empresas registadas, destaca-se ‘A Nossa Gorongosa’, uma das 15 diferentes companhias de café registadas em Moçambique e uma das seis marcas nacionais a atingir o padrão exigido para exportar café para outros países.

A marca tem obtido sucesso em mercados como Reino Unido, África do Sul e Moçambique. Durante o evento, ‘A Nossa Gorongosa’ ganhou ainda mais visibilidade durante o Festival do Café de Maputo, que contou com a presença de uma delegação de representantes do Parque Nacional da Gorongosa.

De acordo com a Agência Lusa, a relação entre a cultura de café e a conservação da biodiversidade foi debatida no painel “Cafés de Moçambique e Desenvolvimento da Economia Local”, na primeira edição do Festival do Café, que decorre em Maputo.

“As mesmas mulheres que não queriam saber nada de plantio e restauração de árvores são hoje amigas da conservação, depois de terem sido envolvidas na produção de café”, disse Pedro Muagura, do Parque Nacional da Gorongosa (PNG), um santuário de fauna e flora do centro de Moçambique que também produz e exporta aquela cultura.

Muagura afirmou que a aposta no aproveitamento do potencial agrícola do território ocupado pelo PNG tem resultado igualmente no reflorestamento e conservação da biodiversidade dos campos.

“A área estava desertificada, havia ali um cenário de desmatação provocada pelas várias guerras que aconteceram em Gorongosa”, declarou, referindo-se aos conflitos armados entre as forças governamentais e a antiga guerrilha da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), hoje principal partido da oposição. Pedro Muagura defendeu a produção de café e de alimentos, como milho, para que as culturas de rendimento não resultem na marginalização da produção alimentar.

No aspecto social, a produção de café em Moçambique está a tornar-se numa fonte vital de renda para cerca de cinco mil pequenos agricultores e envolve 15 empresas. Com a adesão de Moçambique à Organização Internacional do Café em junho de 2023, surgem novas oportunidades para atrair investimentos e assistência técnica, visando o desenvolvimento competitivo da indústria nacional de café.

O Festival do Café de Maputo reuniu especialistas da indústria cafeeira, produtores e entusiastas com o propósito de promover o diálogo e proporcionar uma oportunidade de aprendizagem, degustação e apreciação dos sabores do café. Este evento marca um passo importante para a inserção de Moçambique no mercado internacional de café, prometendo desenvolvimento económico e sustentabilidade para o sector agrícola do país.

Fotos: Gorongosa

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