Mai 11, 2026 |
Resíduos florestais e de serração estão a ser transformados em carvão certificado em Cheringoma e Muanza, Província de Sofala, com benefícios para a conservação ambiental e a economia circular.
O projecto, que procura reduzir a pressão sobre as florestas nativas e criar alternativas mais sustentáveis para o mercado nacional, está a ser desenvolvido pela empresa moçambicana LevasFlor e pretende ser uma alternativa sustentável ao carvão informal, o mais utilizado em Moçambique.
De acordo com a BIOFUND, a iniciativa tem certificação do Forest Stewardship Council (FSC), assegurando que a matéria-prima utilizada provém de uma gestão florestal responsável, baseada em critérios ambientais, sociais e económicos reconhecidos internacionalmente.
Num sector frequentemente associado à informalidade e à ausência de controlo ambiental, a certificação surge como um elemento diferenciador para consumidores e distribuidores.
Este projecto de gestão florestal, aposta na valorização de biomassa residual para produzir carvão vegetal de elevada qualidade sem recurso ao corte intencional de árvores e conta com financiamento do Cartão bio, cartão biodegradável do Banco Comercial de Investimentos (BCI) em parceria com a Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND).
Segundo os dados avançados pela LevasFlor, a operação encontra-se numa fase avançada de implementação e já permitiu produzir cerca de 11,9 toneladas de carvão vegetal a partir de resíduos de biomassa. O modelo utiliza sobretudo desperdícios da indústria madeireira, incluindo aparas, ramos e madeira rejeitada.
Entre as espécies utilizadas destaca-se a messassa (Brachystegia spiciformis), característica das florestas de miombo e reconhecida pela sua elevada densidade e eficiência energética. A utilização destes resíduos permite reduzir o desperdício e minimizar o impacto sobre os recursos florestais.
Além da produção de carvão vegetal, o projecto integra também o fabrico de biochar, ou biocarvão, destinado à melhoria da fertilidade dos solos agrícolas. Quando aplicado de forma adequada, o produto contribui para aumentar a retenção de água e nutrientes no solo, podendo reforçar a resiliência das práticas agrícolas adoptadas pelas comunidades locais.
A iniciativa surge numa altura em que o mercado moçambicano de carvão vegetal continua dominado por circuitos informais, muitas vezes marcados por qualidade irregular e ausência de rastreabilidade ambiental. A introdução de carvão certificado procura responder a uma procura crescente por produtos mais consistentes, sobretudo em centros urbanos e no sector da restauração, onde factores como a durabilidade da combustão e a origem sustentável começam a assumir maior relevância.
O projecto inclui igualmente o desenvolvimento de embalagens adaptadas ao mercado formal, em vários formatos, bem como a criação de parcerias de distribuição em canais estruturados, numa tentativa de tornar a cadeia de valor mais organizada e transparente.
Com uma concessão de 46.240 hectares de floresta de miombo sob gestão responsável, a LevasFlor defende que esta iniciativa reforça os esforços de conservação da biodiversidade, retenção de carbono e promoção de meios de subsistência sustentáveis nas comunidades locais.
Foto: BIOFUND




