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Kambaku

Centro de Estudos de Bazaruto regista migração recorde de baleia jubarte entre Pacífico e Índico

Dez 17, 2024 |

Uma jornada impressionante entre o Pacífico e o Índico lança novas luzes sobre os desafios e mistérios da migração das baleias-jubarte que, segundo uma investigação pioneira do Bazaruto Center for Scientific Studies (BCSS) documentou a mais longa migração desta espécie.

O estudo, liderado por Ekaterina Kalashnikova, investigadora do BCSS, publicado na Royal Society Open Science, relata uma longa jornada de pelo menos 13.046 quilómetros, e possivelmente até 18.000 quilómetros, ligando zonas de reprodução no Pacífico Leste e no Índico Sudoeste.

De acordo com o BCSS, o protagonista desta história é um macho adulto, inicialmente observado no Golfo de Tribugá, na Colômbia, em 2013, onde integrava um grupo competitivo — estrutura social típica em que machos competem pela atenção de uma fêmea.

Novos registos em 2017, na Baía Solano, e em 2022, no Canal de Zanzibar, confirmaram a sua identidade através de análises fotográficas detalhadas realizadas pela plataforma Happywhale, que usa algoritmos de inteligência artificial para rastrear cetáceos globalmente.

De acordo com Ekaterina Kalashnikova, calcular a distância exata percorrida por uma baleia é desafiador devido à incerteza nas rotas migratórias. Assim, os investigadores usaram distâncias em círculo máximo para estimar o percurso mínimo, que ultrapassou os 18.000 quilómetros. Esta viagem extraordinária intriga os cientistas, uma vez que as baleias-jubarte geralmente demonstram grande fidelidade às suas zonas de alimentação e reprodução.

Os motivos por trás de tais deslocamentos interoceânicos permanecem incertos. Alterações ambientais, estratégias de acasalamento ou aumento da competição em áreas tradicionais de reprodução podem estar entre os fatores.

Esteban Duque Mesa, do Jardim Botânico do Pacífico Mecana, sugere que o custo energético de regressar às rotas migratórias habituais pode levar uma baleia a escolher destinos alternativos para reprodução.

Este caso ressalta a importância de bases de dados globais e da colaboração transnacional. Publicações como esta mostram que o compartilhamento de dados é crucial para o estudo da ecologia das espécies e dos ecossistemas. Kalashnikova reforça que a união de cientistas de diferentes países — incluindo Tanzânia, Rússia, Colômbia e África do Sul — abre novas possibilidades para desvendar os mistérios das baleias.

Localizado no arquipélago de Bazaruto, em Moçambique, o BCSS desempenha um papel estratégico no estudo das jubartes, proporcionando um ponto de observação privilegiado durante a sua migração anual entre julho e outubro.

Foto: BCSS

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