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Kambaku

Chimanimani documenta 1.365 espécies e cria mais de 5 mil parcelas comunitárias em cinco anos

Dez 30, 2025 |

O Parque Nacional de Chimanimani apresentou resultados que incluem mais de mil espécies registadas, terras comunitárias demarcadas e novas fontes de rendimento local.

O balanço do Projecto de Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Comunitário (CBDC), implementado entre 2021 e 2025 no Parque Nacional de Chimanimani, foi apresentado no distrito de Sussundenga, província de Manica, revelando ganhos expressivos na conservação da biodiversidade e no desenvolvimento das comunidades da zona tampão, de acordo com a Biofund.

Financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento, pelo Fundo Francês para o Meio Ambiente e pela organização Fauna & Flora, o projecto contou com um orçamento de 4,8 milhões de euros. Entre os resultados mais relevantes está a criação de uma base de dados científica com o registo de 1.365 espécies de flora e fauna, reforçando o conhecimento necessário para a gestão eficaz da área protegida.

No plano territorial e social, o projecto apoiou a demarcação de terras comunitárias, a delimitação de mais de cinco mil parcelas familiares e a legalização de 20 associações comunitárias e 20 unidades de gestão. Estes avanços contribuíram para o reforço da governação local e para uma maior participação de mulheres e jovens nos processos de decisão sobre o uso dos recursos naturais.

O CBDC permitiu ainda a identificação de 33 locais de interesse natural e histórico-cultural, dos quais nove foram seleccionados para valorização turística, abrindo novas oportunidades de rendimento ligadas ao turismo de natureza e cultura. O processo incluiu a elaboração de manuais de gestão, um código de conduta para visitantes e um plano de marketing com horizonte de dez anos.

Na vertente económica, destacou-se a consolidação da cadeia de valor do mel e de outros produtos naturais, com formação de apicultores, reabilitação da unidade de processamento e criação de produtos sob marca local, reforçando a ligação entre conservação florestal e melhoria dos rendimentos familiares.

No domínio da sustentabilidade financeira, estudos de Pagamento por Serviços Ambientais estimaram em cerca de quatro mil milhões de meticais por ano o valor dos serviços hídricos prestados pelo Parque Nacional de Chimanimani, fundamentais para o abastecimento de água, agricultura, pesca e produção de energia na bacia do Búzi.

O projecto incluiu igualmente acções de restauração ecológica, com a recuperação de 240 hectares de áreas degradadas, a criação de 78 empregos temporários e a capacitação de técnicos do parque, consolidando Chimanimani como um exemplo de integração entre conservação da biodiversidade e desenvolvimento comunitário.

Foto: Jen Guyton/National Geographic e Biofund

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