Ago 4, 2026 |
Uma tartaruga verde apreendida num aeroporto internacional revelou sob luz ultravioleta a marca de mão de quem a manuseou, num vestígio que pode identificar traficantes.
A técnica já chegou a África com a distribuição de mais de 200 kits de recolha de impressões digitais por forças de fronteira de 40 países africanos e asiáticos, segundo avança a Positive News.
No Quénia, as provas obtidas com um único kit conduziram a 15 detenções, entre as quais cinco agentes policiais, e à apreensão de 11 presas de elefante. Uma variante branca do mesmo pó está agora a ser usada para recuperar impressões em corno de rinoceronte e em escamas de pangolim.
De acordo com a revista Nature, que incluiu a imagem na sua selecção mensal de fotografia científica, o vestígio foi revelado com pó fluorescente num exemplar confiscado no aeroporto de Heathrow, em Londres, juntamente com impressões digitais recolhidas numa presa de elefante.
As duas fotografias valeram à fotojornalista Britta Jaschinski o primeiro prémio da edição de 2026 do Earth Photo. A revista situa o comércio ilegal de vida selvagem em cerca de 23 mil milhões de dólares por ano.
A vantagem operacional é considerável para países com recursos limitados. Os pós são baratos, podem ser aplicados no terreno e funcionam onde os testes de ADN não são exequíveis. Além de impressões digitais, a técnica permite detectar sangue, fluidos corporais e resíduos de pólvora.
O laboratório que desenvolve estas técnicas é o Wildlife Crime Lab do Institute of Zoology, braço de investigação da Sociedade Zoológica de Londres. Como noticiou a CNN, a unidade indica que os pós de nova geração permitem recuperar impressões digitais de qualidade em 70 por cento dos exemplares testados, e que é possível recuperar ADN deixado por quem manuseou as peças.
As redes criminosas organizadas encaravam há muito o tráfico de vida selvagem como uma actividade de baixo risco e elevado retorno, com poucas condenações e penas ligeiras, e que o aperfeiçoamento da ciência forense está a alterar essa equação.
A mudança tem consequências directas para os países de origem dos produtos apreendidos. Até agora, o marfim confiscado provava sobretudo que um crime tinha ocorrido. Passam a poder indicar quem o cometeu, incluindo em pontos da cadeia de tráfico situados longe do local onde o animal foi abatido.

Fotos: Britta Jaschinski com Royal Geographical Society/Nature




