Ago 4, 2025 |
Investigadores da Gorongosa apresentaram descobertas inovadoras no Congresso da Sociedade Internacional de Primatologia, em Madagáscar, revelando como o comportamento dos babuínos perante predadores pode lançar novas luzes sobre a evolução dos primeiros humanos.
Uma equipa multidisciplinar de investigadores, que inclui a primeira primatóloga moçambicana, apresentou os mais recentes avanços do Gorongosa Paleo-Primate Project, uma iniciativa pioneira que explora a relação entre comportamento animal, predadores e a evolução dos primeiros hominídeos.
Liderado pela primatóloga portuguesa Susana Carvalho, o projecto procura compreender de que forma os babuínos utilizam o espaço em ambientes dominados por predadores, como leões ou leopardos.
De acordo com o Parque Nacional da Gorongosa, a equipa estuda o comportamento destes primatas antes, durante e após ataques, traçando assim o que designam por “paisagem do medo” — uma dinâmica que poderá ter influenciado profundamente a evolução do comportamento dos primeiros humanos.
Rassina Assane Farassi, a primeira primatóloga moçambicana, deu a conhecer a sua investigação sobre manipulação de objectos por parte dos babuínos. O seu trabalho, agora publicado na prestigiada American Journal of Biological Anthropology, representa um marco significativo para a investigação científica em Moçambique.
Também presente esteve João Coelho, gestor do Laboratório de Paleontologia de Gorongosa, que sublinhou o papel central da ciência, da educação e da primatologia na missão de restaurar o ecossistema da Gorongosa de forma inclusiva e sustentável. “Gorongosa é mais do que um parque – é um parque para o povo”, declarou Coelho, destacando o impacto social e ambiental do projecto.
A participação moçambicana neste congresso internacional evidencia a importância crescente da investigação feita em África por africanos, num momento em que os grandes desafios da conservação exigem soluções baseadas no conhecimento local e na cooperação científica internacional.
Fundada em 1964, a Sociedade Internacional de Primatologia é uma das principais organizações mundiais dedicadas ao estudo, conservação e bem-estar dos primatas. Através de congressos, parcerias e projectos como o de Gorongosa, a sociedade promove a troca de conhecimentos e apoia iniciativas que procuram assegurar um futuro para os primatas — e, por extensão, para os ecossistemas que estes ajudam a equilibrar.

Foto: Gorongosa




