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Kambaku

Cientistas detectam rémoras dentro de mantas e lançam dúvidas sobre relação entre espécies  

Mai 26, 2026 |

Um estudo internacional feito entre Moçambique, Malvinas e Florida detectou rémoras no interior de mantas levantando novas dúvidas sobre esta relação entre espécies.

A investigação, conduzida por cientistas marinhos de uma equipa internacional, revela um comportamento insólito e potencialmente nocivo envolvendo estes peixes conhecidos por se prenderem a animais maiores para se deslocarem e alimentarem.

Segundo o estudo, estes peixes foram observados no interior da cloaca e das cavidades branquiais de mantas marinhas, numa interacção que poderá ser mais invasiva do que se supunha.

O trabalho reuniu sete observações feitas ao longo de 15 anos com registos que incluem provas fotográficas de rémoras parcialmente escondidas no corpo de mantas, sugerindo que a relação entre ambas as espécies nem sempre será apenas de conveniência ou benefício mútuo, de acordo com The Mirage News.

A investigação foi conduzida por especialistas do Shark Research and Conservation Program, da Rosenstiel School da Universidade de Miami, em parceria com a Marine Megafauna Foundation, presente em Moçambique, e a The Manta Trust.

O artigo científico, intitulado “Hiding in plain sight: Evidence of Echeneidae cloacal and gill diving behavior in manta ray hosts” foi publicado na revista Ecology and Evolution e a autoria pertence a Emily A. Yeager, Jessica Pate, Guy M.W. Stevens, Bryant Turffs e Catherine Macdonald.

Num dos episódios descritos, os investigadores filmaram uma remora a entrar rapidamente na cloaca de uma manta, a abertura situada na parte inferior do corpo, usada para funções reprodutivas e de excreção, depois de aparentar ter sido perturbada pela aproximação de um mergulhador.

Para afirmou Emily Yeager, autora principal do estudo e doutoranda no Departamento de Ciências e Políticas Ambientais de Rosenstiel “esta é uma daquelas descobertas que nos lembra o quão pouco se sabe sobre as interações e o comportamento da vida selvagem marinha. Há muito que partíamos do princípio de que as remoras e as raias-manta mantinham relações essencialmente benéficas, mas estas observações sugerem que a interação pode, por vezes, ser mais intrusiva e potencialmente prejudicial do que se pensava anteriormente”, disse.

As rémoras, por vezes descritas como peixes-ventosa, distinguem-se por terem um disco de sucção no topo da cabeça, que lhes permite fixarem-se a tubarões, baleias, raias e outros grandes animais marinhos. Tradicionalmente, os cientistas consideraram esta associação inofensiva ou mesmo vantajosa, já que as rêmoras podem remover parasitas e consumir restos de alimento. Mas as novas observações indicam que esta relação poderá situar-se num espectro mais amplo, entre o mutualismo e o parasitismo.

O estudo documentou este comportamento em mantas juvenis e adultas, entre 2010 e 2025. Para além dos casos de entrada pela cloaca, os investigadores registaram também uma rêmora alojada numa fenda branquial, bem como ferimentos em várias mantas compatíveis com este tipo de intrusão.

De acordo com os autores, este comportamento poderá servir diferentes propósitos para as rêmoras, como evitar predadores, procurar alimento ou reduzir o esforço de natação. Ainda assim, os efeitos concretos sobre as mantas permanecem por esclarecer.

Os investigadores alertam, porém, que a presença destes peixes em zonas sensíveis como a cloaca ou as guelras poderá afectar funções biológicas essenciais, entre elas a respiração e a reprodução, sobretudo se estas ocorrências forem frequentes ou prolongadas.

Foto: inaturalist

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