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Cientistas vão pesquisar águas africanas para medir poluição oceânica

Abr 24, 2022

Um grupo de cientistas iniciou uma missão de cinco meses para estudar o impacto da poluição do plástico nos principais rios do continente africano e o stress provocado pelas alterações climáticas nos microrganismos no Oceano Atlântico.

A pesquisa está a ser realizada a partir da escuna de pesquisa francesa Tara que chegou à Cidade do Cabo, na África do Sul, na semana passada, antes de iniciar uma expedição pela costa oeste africana.

De acordo com a Africa News, os pesquisadores vão analisar como os nutrientes e a poluição nos principais rios africanos – Congo, Orange, Gâmbia e Senegal – estão a afetar o Atlântico. Os cientistas rastrearão as fontes de poluição plástica na foz dos rios, para entender a sua distribuição e os tipos de materiais envolvidos.

A estação de pesquisa também lançará redes que podem ir até 1.000 metros abaixo da superfície do oceano, para recolher amostras de ecossistemas “microbiomas”, para serem analisadas em laboratórios em terra. Os dados colectados ajudarão a responder a perguntas-chave sobre os oceanos do mundo.

Os investigadores vão ainda estudar a Corrente de Benguela, que sobe da África do Sul até às costas da Namíbia e Angola e que puxa água fria das profundezas do oceano num processo conhecido como ressurgência, trazendo nutrientes para a superfície.

“Obtém-se mais nutrientes aqui do que em qualquer outro lugar do mundo”, disse à AFP Emma Rocke, pesquisadora da Universidade da Cidade do Cabo, que está a trabalhar no navio francês.

Os biólogos marinhos estudarão mais tarde uma corrente de ressurgência na costa senegalesa, a terceira mais poderosa do mundo depois de Benguela e do sistema de ressurgência Peru-Chile.

A embarcação Tara está na sua 12ª missão global e envolve 42 instituições de pesquisa em todo o mundo. O diretor executivo da Tara Ocean Foundation, Romain Trouble, disse que esta é a primeira vez que o navio atravessa a costa da África Ocidental.

O professor de ecologia microbiana e genoma da Universidade de Pretória, Thulani Makhalanyane, concentrará a sua pesquisa no efeito da agricultura e da poluição plástica dos rios africanos.

“Nas comunidades costeiras, esperamos ver evidências de um alto grau de poluição”, disse Makhalanyane. “Também estamos interessados ​​em outros poluidores que talvez não sejam tão bem caracterizados, coisas como genes de resistência a antibióticos”.

A embarcação deixou seu porto de origem em Lorient, em França, em dezembro de 2020 para embarcar numa viagem de 70.000 quilómetros. Desde então, percorreu as costas do Chile, Brasil e Argentina, além do Mar de Weddell, na Antártida.

Foto: pbs.twimg.com

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