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Kambaku

Colectivo artístico propõe Ministério da Biosinfonia ou um futuro cívico inspirado na Natureza

Ago 18, 2025 |

O colectivo Kairos Futura, sediado em Nairobi, apresentou uma provocadora instalação que rompe com os modelos convencionais de pertença e governação durante a Semana de Design de Milão.

Com o nome de Ministério da Biosinfonia, o projecto propõe uma cidadania inspirada nos sistemas naturais — uma verdadeira subversão do conceito de nacionalidade tal como o conhecemos.

Formado por artistas, futuristas, designers e activistas comunitários, o colectivo acredita que a criatividade tem o poder de transformar sociedades. Através da narrativa imersiva e de práticas participativas, o Ministério da Biosinfonia convida os visitantes a repensar a sua relação com o planeta, reorganizando a sociedade segundo princípios ecológicos.

Na instalação, os participantes não eram meros espectadores. Assumiam identidades simbólicas como Embaixadores do Oceano, da Nuvem, da Montanha ou da Floresta, representando formas alternativas de organização baseadas em afinidades ecológicas.

Esta escolha de biossistemas não foi casual como conta a Art Africa. Segundo os membros fundadores do projecto, Stoneface Bombaa e Willy Ng’ang’a, a familiaridade destas entidades naturais facilitou o envolvimento imediato do público e abriu caminho para uma reflexão mais profunda sobre a ligação emocional e sensorial entre os seres humanos e os ecossistemas.

Cada identidade propunha uma nova forma de agir, sentir e pertencer – numa lógica que privilegia a empatia ecológica em detrimento do nacionalismo tradicional.

Visualmente marcante, o Ministério afirma-se através de elementos cuidadosamente seleccionados: coletes de segurança reciclados, óculos capazes de detectar níveis de poluição atmosférica, e materiais locais produzidos de forma sustentável no Quénia. Estes elementos não eram apenas estéticos — funcionavam como declarações políticas, denunciando os modelos de governação insustentáveis e propondo alternativas onde a responsabilidade ecológica é central.

O design institucional do Ministério funde a linguagem da burocracia estatal com a inovação ecológica, criando um paradoxo visual que desafiava o público a questionar as suas próprias noções de autoridade e pertença.

No contexto de uma das mais influentes feiras de design do mundo, o Ministério da Biosinfonia destacou-se como um grito de urgência e imaginação. Desviando-se da tradicional obsessão com o objecto, propôs um design voltado para os sistemas — políticos, sociais e ecológicos. O projecto oferece uma perspectiva africana vital para um discurso global muitas vezes centrado no Ocidente, lembrando que as soluções ecológicas não são apenas técnicas, mas profundamente culturais.

Fotos: Art Africa/Kairos Futura

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