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Comportamento de pequenos carnívoros alvo de estudo na Gorongosa

Abr 9, 2024 |

Um recente estudo realizado por investigadores internacionais revelou novas informações sobre as interacções entre diferentes espécies de carnívoros de pequeno e médio porte no Parque Nacional da Gorongosa.

O Parque Nacional da Gorongosa, que é reconhecido pela sua rica biodiversidade, abriga uma variedade impressionante de vida selvagem, incluindo várias espécies de carnívoros. Entre estes estão servais, ginetas, civetas, texugos-do-mel e uma gama diversificada de mangustos, como o mangustoo-do-pântano, comumente conhecidos como mesocarnívoros.

Os investigadores Katie Grabowski, anteriormente da Universidade de Princeton e agora na Universidade de Oxford, Erin Phillips da Universidade de Princeton, e Kaitlyn Gaynor da Universidade da Colúmbia Britânica, conduziram um estudo sobre as interacções entre estas espécies na área florestal ao sul do Lago Urema.

Para entender melhor o comportamento destes carnívoros, os pesquisadores utilizaram uma rede de 60 câmaras remotas activadas por movimento. Essa abordagem permitiu que conseguissem observar as actividades desses animais no seu habitat natural, sem interferir no seu comportamento.

O estudo concentrou-se na partição espacial e temporal entre as espécies. A partição espacial refere-se à divisão natural do espaço dentro do ecossistema, enquanto a partição temporal se relaciona à distribuição do tempo de actividade ao longo do dia. Ambas as estratégias são fundamentais para a coexistência pacífica das espécies, reduzindo a competição directa por recursos essenciais, como comida, abrigo e parceiros.

Embora a dieta dos mesocarnívoros consista principalmente em carne, cerca de 50-70%, estes animais também consomem alimentos não vertebrados, como insectos, fungos e frutas. Essa diversidade na dieta pode influenciar as suas interações ecológicas.

Surpreendentemente, os resultados do estudo revelaram uma descoberta intrigante: pouca ou nenhuma evidência de partição espacial ou temporal entre os mesocarnívoros estudados. Isto sugere que diferenças na dieta e na abundância de recursos podem ser factores determinantes na minimização da competição entre essas espécies.

Estas descobertas não apenas ampliam o entendimento actual da ecologia dentro do Parque Nacional da Gorongosa, mas também têm importantes implicações para a conservação e restauração da vida selvagem nesta região africana. Ao compreender melhor as interacções entre diferentes espécies, os gestores de conservação podem desenvolver estratégias mais eficazes para proteger a biodiversidade única desse ecossistema.

O estudo destaca a complexidade e a fascinante dinâmica das relações entre os carnívoros no Parque Nacional da Gorongosa, reforçando a importância contínua da pesquisa científica para a preservação da vida selvagem e dos ecossistemas naturais.

Foto: bbc/dailymail.co.uk

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