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Comunidade Barabaig outrora caçadora de leões agora converte-se no seu maior protector

Abr 21, 2022

Na Tanzânia, o povo Barabaig, uma comunidade pastoril tradicional para quem as manadas de gado são vitais, divide o seu território com um perigoso predador. Nos limites do Parque Nacional Ruaha os leões ameaçam os seus animais, os seus meios de subsistência e, até mesmo, as suas vidas.

Não há muito tempo, os membros deste povo matavam pura e simplesmente qualquer leão que se cruzasse no seu caminho porque representavam uma ameaça para sua comunidade. Contudo, com o declínio das populações desta espécie um grupo de conservacionistas está agora a ajudar os Barabaig a proteger os leões que antes caçavam.

“Se houver um ataque ao gado, os Barabaig começam uma caça ao leão, mas não se trata apenas de retaliação” sendo também um importante património económico e cultural da comunidade explica Amy Dickman, diretora da Unidade de Investigação de Conservação da Vida Selvagem da Universidade de Oxford.

Dickman, também Co-CEO da ONG Lion Landscapes, que trabalha em Ruaha, na Tanzânia mas também no Quénia e na Zâmbia, para proteger este felino tem, como uma das suas principais missões, recrutar “Defensores de Leões”, membros da comunidade aptos para rastreamento e com bom conhecimento da área em que está.

Existem dezoito “Defensores de Leões” actualmente no programa, geralmente jovens entre 18 e 20 anos. Stephano Asecheka, membro dos Barabaig, atua como intermediário entre esses jovens e a comunidade. “A tarefa deles é pesquisar no início da manhã rastos de leões para informar os pastores sobre as áreas de pastagem mais seguras”, explica.

Entre as inovações introduzidas está um projeto que treina a população local para montar armadilhas fotográficas. As aldeias recebem pontos para cada imagem que capturam de um animal selvagem, com mais pontos para animais mais difíceis de detetar e aqueles com maior risco de conflito entre pessoas e animais selvagens.

Grupos de quatro aldeias competem para marcar mais pontos a cada trimestre, com o vencedor a receber cerca de 2.000 dólares em assistência médica, veterinária e ajuda educacional, e as outras aldeias que recebem quantias menores.

A Lion Landscapes diz que a iniciativa gera dados valiosos sobre a vida selvagem, treina a população local em técnicas de conservação e, ao fornecer benefícios da vida selvagem na suas terras, levou algumas aldeias a proibir a caça aos leões.

Em vez de associar os grandes felinos à perda de gado, riqueza ou vidas, Dickman diz que os Barabaig agora ligam os animais a acesso a bons cuidados de saúde, educação e refeições escolares subsidiadas.

Através dos seus programas, Dickman diz que as mortes de leões diminuíram em mais de 70% na área em que a Lion Landscapes trabalha.

Os Leões são classificados como vulneráveis, com uma população inferior a 40.000 em todo o continente. Os leões desapareceram de mais de 90% de sua área histórica e seus números caíram quase para metade nos últimos 20 anos.

Fotos: CNN/Ami Vitale

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