Ago 4, 2026 |
As comunidades de Memba e Mossuril, em Nampula, vão receber os primeiros pagamentos directos pelos resultados obtidos na protecção e restauração do mangal.
De acordo com a Wildlife Conservation Society Moçambique (WCS Moçambique), que integra o consórcio de implementação do projecto Futuro Azul naqueles dois distritos, a primeira missão de validação de resultados foi já realizada no terreno e confirmou que as comunidades envolvidas estão efectivamente a cumprir os critérios estabelecidos. A organização anunciou que os pagamentos iniciais seriam feitos ainda durante o mês de Julho.
O mecanismo assenta em dois indicadores simples, o que constitui uma diferença face a modelos de conservação baseados apenas em apoio material ou em formação. As comunidades são remuneradas se a taxa de sucesso das acções de plantio se mantiver acima dos 60 por cento e se não houver corte nas restantes áreas de mangal que se encontram em bom estado de saúde. A mensagem que tem acompanhado a iniciativa no terreno é “Fazer bem e ganhar também”.
O sistema é conhecido como pagamento por performance e foi desenhado em conjunto com parceiros e com as próprias comunidades. A WCS Moçambique refere que as populações reagiram com surpresa à possibilidade de obterem valores efectivos pelo contributo que dão a um ecossistema cujo benefício é simultaneamente local e global, e considera que a fórmula pode aumentar os índices de sucesso das iniciativas de protecção do mangal em todo o país.
A aposta insere-se num programa mais vasto no programa Futuro Azul que, segundo a Biofund decorre entre 2022 e 2027 nos distritos de Memba e Mossuril, é financiado pelo Blue Action Fund e por outros doadores internacionais e tem como objectivo reduzir a vulnerabilidade das comunidades costeiras às alterações climáticas, reforçar a protecção da linha de costa e promover meios de vida assentes nos recursos naturais, sobretudo a pesca.
O projecto prevê ainda a preparação de uma proposta de criação de uma nova área de conservação marinha de uso sustentável naquele troço da costa, co-gerida pelas comunidades locais, de acordo com o ProAzul.
A ligação entre mangal e financiamento não é nova no projecto. Entre 2023 e 2024 foi desenvolvido um estudo de viabilidade sobre um projecto de carbono azul entre Memba e Mossuril, destinado a apurar se as receitas geradas pela venda de créditos de carbono num projecto de pequena escala compensam os custos de concepção, validação, monitoria, emissão e verificação, segundo a página do Futuro Azul. O pagamento por performance surge como uma via mais directa de fazer chegar valor às comunidades sem depender desse mercado.
A área abrangida estende-se da foz do rio Lúrio ao limite sul do distrito de Mossuril e reúne recifes de coral, ervas marinhas e mangal, num contexto em que Memba enfrenta problemas de desflorestação e erosão dos solos.

Fotos: WCS Moçambique




