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Kambaku

Conflito homem–fauna bravia leva governo a acelerar vedação de áreas protegidas na Província de Gaza

Jun 10, 2025 |

O Governo moçambicano vai intensificar, em articulação com os seus parceiros internacionais, o processo de vedação dos parques de fauna bravia na província de Gaza, com o objectivo de reduzir os recorrentes conflitos entre comunidades e animais selvagens.

A decisão foi anunciada pelo Presidente da República, Daniel Chapo, durante uma conferência de imprensa que marcou o encerramento da sua visita de três dias à província, concluída na noite de quarta-feira, reportada pela Agência Lusa/Green Savers.

“Há uma grande preocupação da nossa população na região norte da província de Gaza sobre o conflito homem-animal, sobretudo por causa dos animais dos parques”, afirmou o chefe de Estado, referindo-se especificamente ao Parque Nacional do Limpopo e ao Parque Transfronteiriço do Grande Limpopo, que abrange também o Kruger Park, na África do Sul, e o Parque Nacional de Gonarezhou, no Zimbabué.

Segundo Daniel Chapo, a criação da área transfronteiriça de conservação – acordada há mais de duas décadas pelos então Presidentes Mandela, Mugabe e Chissano – previa a vedação progressiva dos parques e o reassentamento das comunidades humanas que ainda viviam dentro dessas zonas protegidas.

Durante a visita, Chapo reuniu-se com administradores distritais e líderes comunitários dos distritos mais afectados, onde são frequentes os relatos de destruição de culturas, ataques a pessoas e ameaça à segurança alimentar.

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmam a gravidade da situação. O número de vítimas mortais resultantes de ataques de animais selvagens quase triplicou em 2023, atingindo 159 mortos, face a 58 em 2022 e 56 em 2021. A província de Tete lidera este trágico registo, com 70 mortos só em 2023, seguida da Zambézia, com 31.

A província de Gaza, por seu lado, registou a maior destruição de culturas agrícolas atribuída à fauna bravia, com 68,3% dos 1.490 hectares afectados a nível nacional. As culturas mais atingidas incluem milho, mandioca e feijão, fundamentais para a subsistência das comunidades locais.

O número de feridos nestes confrontos também aumentou, passando de 70 em 2022 para 114 em 2023, segundo o mesmo relatório do INE. Entre 2019 e 2023, foram destruídos mais de 955 hectares de culturas por elefantes, búfalos e outros grandes herbívoros.

Segundo estimativas de 2023, cerca de 205 mil pessoas vivem ainda dentro das áreas protegidas moçambicanas, distribuídas por 162 comunidades. Nas zonas tampão que rodeiam os parques, habitam mais 500 mil pessoas em 504 comunidades. Esta convivência forçada entre fauna bravia e populações humanas está na raiz de muitos dos conflitos registados.

O censo de 2018 apontava para uma população de 9.114 elefantes e 64.800 búfalos no país, números que sublinham a escala dos desafios enfrentados em termos de gestão da fauna e do território.

Foto: wikipedia

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