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Kambaku

Congresso da IUCN em Abu Dhabi com nova visão global para as próximas duas décadas

Out 20, 2025 |

O Congresso Mundial de Conservação da Natureza da IUCN terminou, em Abu Dhabi, traçando um plano ambicioso para a preservação da natureza nas próximas duas décadas.

Mais de 10 mil participantes, muitos deles de Moçambique, entre representantes governamentais, organizações da sociedade civil, comunidades locais, académicos e empresas, estiveram presentes — presencialmente e em formato virtual — num encontro que serviu de palco para mais de mil eventos. Pela primeira vez, o Congresso acolheu também a Cimeira Mundial dos Povos Indígenas e da Natureza, reforçando a importância da inclusão na governação ambiental.

Durante a assembleia dos membros, foram aprovados a Visão Estratégica para os próximos 20 anos e o novo programa quadrienal da União. A presidente da IUCN, Razan Khalifa Al Mubarak, foi reeleita para um segundo mandato. No seu discurso de encerramento, sublinhou a necessidade de unir ciência e políticas públicas, natureza e humanidade, de acordo com a IUCN.

Com apenas cinco anos restantes para atingir as metas do Quadro Global para a Biodiversidade de 2030 e dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, o Congresso apelou à comunidade internacional para intensificar esforços e adoptar soluções transformadoras e colaborativas que beneficiem simultaneamente as populações e os ecossistemas. Entre as 148 resoluções aprovadas, destacam-se a primeira política sobre biologia sintética aplicada à conservação e novas medidas para reforçar a governação e a inclusão.

A IUCN anunciou igualmente a adesão de mais de 100 novos membros, incluindo seis Estados — Arménia, Tajiquistão, Ilhas Marshall, Gabão, Tuvalu e Zimbabué —, e confirmou o Panamá como país anfitrião do próximo Congresso Mundial de Áreas Protegidas, agendado para Setembro de 2027.

Moçambique em destaque

Moçambique teve uma presença significativa no Congresso, com representantes da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), da BIOFUND, da Mozambique Wildlife Alliance (MWA) e diversos outras instituições.

Kevin Correia, da BIOFUND, participou como orador na sessão “Blue Nature – From Conservation to Sustainable Financing for Improved Livelihoods”, integrada no Pavilhão de África da IUCN. Na sua intervenção, destacou “que o principal desafio do financiamento para ecossistemas marinhos e costeiros não é apenas a escassez de recursos, mas a actual  estrutura de aplicação dos fundos. Sublinhou a importância de mecanismos de financiamento de longo prazo, como o Endowment Fund da BIOFUND, que garante sustentabilidade para além dos curtos ciclos projectos” como refere a BIOFUND.

De acordo com a mesma fonte “apresentou também mecanismos inovadores de financiamento, como o blended finance, os blue bonds e os créditos de biodiversidade, que permitem mobilizar capital privado e internacional para iniciativas locais, gerando impacto directo tanto nos ecossistemas quanto nas comunidades costeiras que deles dependem”.

Entre os representantes moçambicanos estiveram também Sean Nazareli, da BIOFUND, e Pejul Calenga, Director-Geral da ANAC, reforçando o compromisso do país com a conservação e o desenvolvimento sustentável.

A Mozambique Wildlife Alliance marcou igualmente presença com os seus técnicos António Alverca e Júnior Jaime Alberto, que apresentaram três iniciativas no Pavilhão da Conservação Centrada nas Pessoas: as Rapid Response Units (equipas locais de resposta rápida a conflitos entre pessoas e fauna), a Estratégia Nacional de Conflito Homem-Fauna Bravia e o modelo de Protected Farming Communities, que combina energia solar e governação comunitária para garantir agricultura segura em zonas de risco.

Fotos: IUCN/BIOFUND/MWA

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