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Kambaku

Conservação salva centenas de espécies mas crise da biodiversidade persiste

Abr 21, 2025 |

Um estudo global de grande envergadura demonstrou que esforços de conservação dirigidos evitaram a extinção de centenas de espécies animais.

Contudo, os investigadores alertam que a crise da biodiversidade continua a agravar-se, com seis vezes mais espécies em declínio do que em recuperação.

A investigação, publicada na revista científica PLOS Biology, analisou dados relativos a mais de 67 mil espécies animais. Os cientistas concluíram que, apesar de o planeta continuar mergulhado numa crise de biodiversidade, as medidas de conservação específicas para determinadas espécies resultaram numa redução substancial do risco de extinção e, em muitos casos, impediram a extinção total.

De acordo com a Down to Earth, entre os casos de sucesso destacam-se a Baleia Jubarte, que visita frequentemente as águas de Moçambique, ou animais como o lince ibérico — outrora o felino mais ameaçado do mundo — cuja população passou de algumas centenas para vários milhares de indivíduos,

O kākāpō — papagaio nocturno e incapaz de voar da Nova Zelândia — é outro desses animais, tendo beneficiado de um programa de recuperação de longa duração. O bisonte-europeu, outrora extinto na natureza, foi reintroduzido em várias regiões da Europa Oriental graças a décadas de esforços continuados.

As populações de espécies marinhas, como as baleias-azuis, também registaram recuperações notáveis após a imposição da moratória internacional sobre a caça comercial de baleias.

O estudo foi conduzido por equipas da Universidade de Cambridge, da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), da BirdLife International e das universidades de Oxford e Durham. Os investigadores basearam-se nos dados da Lista Vermelha da IUCN para avaliar quais as acções de conservação implementadas, os tipos de espécies que mais beneficiaram e os factores que estiveram na origem dessas melhorias.

Constatou-se que 78,3% das 969 espécies com populações em crescimento a nível mundial estavam abrangidas por medidas de conservação. Das 288 espécies cuja classificação na Lista Vermelha melhorou desde 1980, 99,3% foram alvo de intervenções como gestão de habitat, reintrodução, protecção legal e programas de reprodução.

Ilhas como a Nova Zelândia, Maurícia, Seicheles, Ilha Chatham, Guadalupe e Bornéu revelaram-se focos importantes de recuperação. Melhorias adicionais foram verificadas no leste dos Estados Unidos, Costa Rica, leste da Austrália, sul da Índia e na Mata Atlântica do Brasil.

Contudo, o panorama geral continua preocupante. Por cada espécie em recuperação, quase seis registam declínio. Desde 1980, 1.220 espécies de anfíbios, aves e mamíferos sofreram agravamentos no seu estatuto de conservação, em contraste com apenas 201 que melhoraram. Vinte e cinco espécies passaram directamente de “Pouco Preocupante” para “Criticamente em Perigo”, sem que nenhuma tenha feito o percurso inverso.

A destruição de habitat, a caça e pesca excessivas e a poluição foram identificadas como os principais factores de ameaça. Mudanças climáticas, doenças e espécies invasoras também contribuíram significativamente para o declínio. Paradoxalmente, algumas espécies ameaçadas por estas mesmas causas apresentaram melhorias, revelando a complexidade das interacções ecológicas e das respostas à conservação.

As regiões mais afectadas por perdas incluem os Andes tropicais, a Península da Malásia, Sumatra, Bornéu, o sul da Europa, a Ásia Central e partes do sudeste da Austrália.

Foto: zapoved.net

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