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Kambaku

Damboia Cossa: a moçambicana que lidera a protecção das pradarias marinhas no Índico Ocidental

Abr 22, 2025 |

No momento em que é lançado um importante programa de preservação das ervas marinhas na África Oriental, destaca-se o nome de uma cientista moçambicana que está a marcar a diferença no panorama da investigação marinha africana: Damboia Cossa.

A moçambicana, investigadora e doutorada, é a actual coordenadora regional da Large-Scale Seagrass Mapping and Management Initiative (LaSMMI), um projecto que está a revolucionar o conhecimento sobre pradarias marinhas na costa do Oceano Índico Ocidental.

Damboia Cossa é hoje uma referência no estudo e conservação das ervas marinhas — plantas subaquáticas de importância vital para a biodiversidade, protecção costeira e combate às alterações climáticas.

Em entrevista à revista Pew, Damboia Cossa revela que a paixão pelo mar surgiu cedo. Mas foi durante um trabalho de campo na Ilha de Inhaca, há mais de quinze anos, que teve o momento que mudou o rumo da sua vida. “Lembro-me claramente de um momento decisivo, há mais de 15 anos, durante uma das minhas primeiras viagens de trabalho de campo a uma zona costeira. Ao observar a vida marinha de perto, fiquei impressionada com a vulnerabilidade destes ecossistemas. Essa experiência abriu-me os olhos para a necessidade urgente de trabalhar num ambiente marinho e de proteger estes recursos inestimáveis. Foi nessa altura que compreendi verdadeiramente a importância das ciências marinhas e como são essenciais tanto para a biodiversidade como para as comunidades que dependem das zonas marinhas e costeiras”, recorda.

O interesse inicial evoluiu para uma carreira académica sólida, com passagem pela Universidade Eduardo Mondlane e doutoramento em Ciências Marinhas na Suécia. Em vez de seguir o caminho mais comum, centrado em mangais ou recifes de coral, Damboia decidiu concentrar-se nas ervas marinhas — um ecossistema muitas vezes negligenciado, mas essencial.

Damoboia Cossa refere que “reparei que, enquanto muitos investigadores se concentravam noutros ecossistemas costeiros importantes, como os mangais e os recifes de coral, os ecossistemas de ervas marinhas eram frequentemente ignorados, especialmente na região ocidental do Oceano Índico, onde a investigação era escassa.”

E acrescenta que “assim, motivada por esta lacuna, decidi envolver-me num trabalho de campo especificamente centrado nas pradarias de ervas marinhas da Ilha de Inhaca, no sul de Moçambique, onde existem pradarias de ervas marinhas incrivelmente ricas.

A investigadora ficou particularmente impressionada com a riqueza das pradarias de Inhaca, onde espécies como a Halodule uninervis alimentam mamíferos marinhos emblemáticos, como o dugongo: “durante este trabalho de campo, tive um momento de descoberta quando me apercebi que as ervas marinhas não são apenas plantas submersas; sustentam uma vasta vida marinha. No entanto, a sua importância é frequentemente subestimada”.

Actualmente, Damboia Cossa lidera, em nome da WIOMSA (Western Indian Ocean Marine Science Association), a coordenação regional do LaSMMI — uma iniciativa científica de grande escala que junta Moçambique, Tanzânia, Quénia e Madagáscar na criação do primeiro mapa validado das ervas marinhas na região.

A iniciativa, apoiada por entidades internacionais como a Pew Charitable Trusts e a Universidade de Southampton, pretende cartografar mais de 9.500 quilómetros de costa e recolher dados que informem políticas ambientais e climáticas de longo prazo.

Com o LaSMMI, espera-se não só produzir conhecimento científico de referência, mas também apoiar os governos na inclusão das ervas marinhas nas suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) no âmbito do Acordo de Paris.

Para além da investigação, Damboia é também uma voz activa na formação de jovens cientistas e na promoção da igualdade de género na ciência.

Fotos: Pewtrusts.org

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