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Kambaku

Dez futuras áreas de pesca comunitária georreferenciadas na Zambézia

Set 22, 2026 |

Dez futuras áreas marinhas de gestão comunitária nos distritos de Mocubela e Namacurra, na Zambézia, foram georreferenciadas no final de Agosto.

De acordo com a Fundação Likhulu, a campanha foi a segunda do género e cobriu sete áreas de pesca de gestão comunitária e três áreas de recuperação de recursos. O trabalho de campo esteve a cargo dos técnicos Carlos Litulo e Marcelo Justino Levene.

A missão resulta de uma parceria entre a Rare, a Wildlife Conservation Society Moçambique e a Fundação Likhulu, no âmbito da Joint 30×30 Funding Initiative. Segundo a fundação, os dados recolhidos vão alimentar a base de dados nacional das áreas de conservação comunitárias e contam para as metas nacionais de protecção de 30 por cento dos ecossistemas.

As duas figuras têm regimes diferentes. A área de pesca de gestão comunitária permite captura sujeita a plano de maneio, ao abrigo do Diploma Ministerial 83/2023, enquanto a área de recuperação de recursos é instalada dentro dela e fecha a pesca, de forma temporária ou permanente.

A Zambézia é a província com maior área marinha sob gestão local do país. De acordo com o levantamento nacional assinado por Marcos Pereira, Carlos Litulo e Raquel Fernandes para a Fundação Likhulu, existiam em Maio de 2024 um total de 107 áreas deste tipo em Moçambique, cobrindo 1.168.564 hectares, dos quais 611.652 na Zambézia, distribuídos por 26 iniciativas.

O mesmo levantamento aponta as fragilidades do sistema. Nenhuma área estava publicada em Boletim da República, 63,2 por cento não tinham plano de maneio e a falta de dinheiro é a principal queixa das comunidades, seguida da ausência de bóias de demarcação. Na Zambézia, estas organizações tiveram em 2023 um rendimento médio de 437 dólares, para uma necessidade anual estimada de 1.612 dólares.

De acordo com a Rare, o modelo aplicado no país junta áreas de pesca geridas pelas comunidades a reservas de captura zero no seu interior. A pesca artesanal costeira moçambicana vale cerca de 90,5 milhões de dólares.

Fotos: andbeyond.com | Fundação Likhulu

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