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Do Niassa ao Maputo: elefante de ferro e lã exposto no Franco-Moçambicano

Jul 9, 2024 |

O Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM) acaba de receber Madala, um elefante em tamanho real feito de ferro e lã que veio da Reserva Especial do Niassa até ao Maputo para dizer que a conservação da biodiversidade é mesmo o ‘elefante na sala’ para o qual devemos voltar a nossa atenção.

Esta impressionante obra de arte ficará em exposição até outubro de 2024, proporcionando aos visitantes uma experiência única e inspiradora feita a partir de materiais confiscados à caça furtiva e agora reutilizados numa manifestação artística que traz o mato para o centro da cidade.

A obra representa todas as actividades ilegais que estão a afectar não só a fauna, mas também o território. Esta estrutura do tamanho de um elefante real conta também com madeiras do corte ilegal das florestas do Niassa.

Madala deixou a Reserva Especial do Niassa, a maior área protegida de Moçambique e um dos últimos redutos da vida selvagem na África Austral, para partilhar uma poderosa mensagem contra a caça furtiva e em prol da conservação dos ecossistemas.

Idealizada por Paula Ferro, bióloga, e Derek Littleton, Director da Fundação Lugenda e da Concessão Luwire, a escultura foi concluída em 2023 com a colaboração do escultor francês Jules Pennel e de mais de 50 membros das comunidades locais.

Construído a partir de materiais reciclados de caça furtiva e coberto com uma pele tricotada em lã, Madala representa a esperança e a resiliência na luta pela protecção da fauna e flora africanas.

Este projecto inovador envolveu antigos caçadores furtivos reconvertidos, guardas florestais, anjos da guarda da fauna e da natureza africanas, e as mulheres do Yao Crochet.

Yao Crochet é um projecto comunitário dentro da Reserva Especial do Niassa que visa capacitar as mulheres e as comunidades locais através de brinquedos de crochet. Tem como objectivo sensibilizar a sociedade para a importância da conservação e do meio ambiente.

A união entre arte e protecção ambiental é destacada pela participação colaborativa e pelo uso de materiais reciclados, transformando objectos de destruição em símbolos de conservação.

À KAMBAKU, Paula Ferro, bióloga, fundadora da Yao Crochet, diz “o que me inspirou a realizar este projecto é que aprendi através dos bonequinhos de crochê que a arte e a criatividade são poderosas ferramentas para passar a mensagem da conservação, mudando a visão e a relação que as pessoas têm com seu meio ambiente. Transformando inconscientemente o negativo em positivo”, acrescentou.

Fotos: CCFM/Yao Crochet

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