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Kambaku

Documentário defende rede de áreas marinhas protegidas na costa de Inhambane

Set 15, 2026 |

Um novo documentário da Marine Megafauna Foundation (MMF) reúne duas décadas de investigação para defender uma rede de áreas marinhas protegidas nos ecossistemas de Inhambane.

Esta ONG global criada em 2009 no Tofo por Andrea Marshall e Simon Pierce, investiga tubarões baleia, raias manta, tartarugas, baleias e dugongos. As filmagens foram conduzidas pela investigadora, que dirige o departamento global de raias manta da organização, ao longo desta faixa costeira, e o filme tem como objectivo levar o argumento científico da conservação ao Governo, a parceiros, a financiadores e às escolas da província, como explica a MMF.

Segundo a organização, a paisagem marinha de Inhambane cobre cerca de 20 por cento da linha de costa moçambicana, tem classificação de Globalmente Excepcional atribuída pela UICN e foi declarada Hope Spot pela Mission Blue em 2022.

Nestas águas vive a última população viável de dugongos de África, cinco espécies de tartaruga marinha e habitat crítico para raias manta, baleias de bossa, tubarões baleia e o ameaçado peixe viola. Ainda assim, apenas duas áreas protegidas se encontram dentro deste perímetro.

A província não parte do zero neste domínio. O Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, criado em Maio de 1971 nos distritos de Vilankulo e Inhassoro, é o mais antigo parque marinho do país e, de acordo com a African Parks, protege a última população viável de 250 dugongos do Oceano Índico Ocidental.

O que a investigação da fundação sustenta é a passagem de áreas isoladas para um sistema interligado, com localizações ditadas pela ciência e corredores que acompanhem a migração dos animais ao longo da costa, à semelhança dos parques transfronteiriços africanos. Moçambique assumiu o compromisso de proteger 10 por cento das suas águas territoriais, com subida para 30 por cento até 2030.

No filme, Andrea Marshall defende esta protecção uma vez que “a costa moçambicana, em particular a costa sul de Moçambique, é uma área de importância global” referindo que “uma das maiores ameaças são simplesmente as artes de pesca”, numa referência à substituição da linha de mão e das redes lançadas à mão por redes de emalhar de grandes dimensões e palangres ao largo, com capturas indiscriminadas e quedas acentuadas em populações que se mantiveram quase intactas até aos anos 2000.

A oceanógrafa norte-americana Sylvia Earle, símbolo mundial da preservação dos oceanos enquadra o argumento lembrando que “agora sabemos que o maior valor do oceano é proteger o planeta” e acrescenta a medida do trabalho que há por fazer: “o valor, a alegria, os benefícios que as pessoas estão a ponto de perder para sempre, a menos que se actue agora”.

O filme foi realizado com apoio da Mission Blue e está disponível em língua inglesa e em língua portuguesa com a dobragem feita pela equipa da MMF em Moçambique.

Fotos e Vídeos: MMF

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