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Duas imagens de Moçambique nas 100 melhores dos Audubon Photography Awards

Ago 16, 2023 |

Os Audubon Photography Awards, uma iniciativa da Audubon National Society, muito conhecida pelos guias de vida selvagem de grande qualidade, está na sua 14ª edição e em 2023 contou com mais de 2.200 participantes que enviaram quase 9.000 fotografias e vídeos. Desta selecção os responsáveis destacaram 100 menções honrosas que contam com duas imagens captadas em Moçambique.

As duas fotografias foram tiradas pelo mesmo fotógrafo, Piotr Naskrecki, director do Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson e ambos os momentos foram naturalmente imortalizados no Parque Nacional da Gorongosa.

Partilhamos estas duas imagens e a respectiva explicação e enquadramento feito por Piotr Naskrecki – vale a pena ver o Top-100 dos Audubon Photography Awards na íntegra com diversos momentos que retratam a magia do mundo natural.

Na imagem que escolhemos para destaque deste artigo o autor explica que “quando reparei num Inhacoso exausto na lama, o meu primeiro instinto foi ajudar o infeliz animal. Mas o stress que teria experimentado enquanto eu tentasse (e que quase certamente não conseguiria) tirar o seu pesado corpo da lama só teria agravado a sua exaustão. Também não é uma boa ideia interferir na ordem natural das coisas. Cedo, na manhã seguinte, o Inhacoso estava morto. Instalei algumas câmaras equipadas com sensores de movimento ao lado da carcaça para documentar os necrófagos que se aproveitavam da comida gratuita. A primeira chegada foi uma jovem Águia Bailarina (Bateleur em inglês) que começou a alimentar-se das partes moles da cabeça do antílope morto.

Na segunda imagem, com vários Marabus, Piotr Naskrecki, revela que “um grande grupo de peixes-gato, cada um com quase um metro de comprimento, ficou preso numa poça que encolheu rapidamente. Os Marabus bicavam-nos impiedosamente com os seus enormes bicos, enfraquecendo ainda mais os já exaustos peixes. Os Marabus são pássaros enormes com envergadura de quase 3 metros, mas os seus bicos impressionantes são surpreendentemente fracos, mais paus do que alicates. Mesmo adultos totalmente crescidos não conseguem dominar e engolir um peixe-gato, mas se um peixe puder ser arrastado para fora da água e morto, o pássaro será recompensado com uma refeição maciça e nutritiva. Assim, os pássaros continuaram a tentar, repetidamente pegando no peixe-gato pelo rabo e quase invariavelmente deixando-os contorcerem-se”, explica.

Fotos: Audubon/Piotr Naskrecki

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