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Elefantes usam “nomes” para se identificarem segundo novo estudo

Jun 18, 2024 |

Os elefantes utilizam sons específicos para se identificarem uns aos outros, segundo um novo estudo publicado na revista Nature Ecology and Evolution. Ao contrário de outros animais, como golfinhos e papagaios, que respondem à imitação do seu chamamento característico, o “nome” de um elefante é uma palavra distinta.

Esta descoberta teve origem em observações de campo e foi confirmada através de experiências. Está bem estabelecido que um elefante pode sinalizar para todo o grupo com um chamamento de contacto, como explica Joyce Poole, cofundadora da Elephant Voices, uma organização sem fins lucrativos que investiga a comunicação entre elefantes e autora do estudo.

Como conta a Discover Magazine, durante as suas observações Poole notou que, quando um elefante emitia um potente ronco para sinalizar o grupo, a resposta era muitas vezes colectiva. Contudo, em algumas ocasiões, um elefante chamava e a maioria do grupo ignorava-o, mas um elefante específico levantava a cabeça e parecia ouvir.

Isto levou a algumas questões. “Será que estes elefantes são rudes por não responderem?” questiona Poole. “Ou estarão a direccionar o chamamento para um elefante em particular?”

Os elefantes são, na verdade, bastante polidos. Parecem usar nomes específicos para se identificarem entre si. Os investigadores da Colorado State University (CSU), da Save the Elephants, e da Elephant Voices utilizaram aprendizagem automática para identificar a parte do chamamento que contém o nome. Em seguida, isolaram esse som e reproduziram-no.

Os elefantes que ouviram o seu próprio nome responderam. Quando ouviram os nomes de outros elefantes, ignoraram o chamamento ou reagiram minimamente.

Para aprender os nomes dos elefantes, Kurt Fristrup, cientista da CSU, desenvolveu uma técnica de processamento de sinal que detecta diferenças subtis nas estruturas dos chamamentos dos elefantes. Fristrup e Michael Pardo, investigador da CSU, treinaram um modelo de aprendizagem automática para identificar corretamente a que elefante o chamamento estava direcionado, com base nos padrões sonoros.

Os elefantes são muito expressivos, o que facilitou a observação de quando e como reagiam a diferentes sons. Quando ouviam os seus próprios nomes, reagiam entusiasticamente e moviam-se na direcção da origem do chamamento. Quando ouviam os nomes de outros elefantes, quase não reagiam.

Os investigadores passaram quatro anos a investigar este comportamento, incluindo 14 meses de trabalho de campo no Quénia. Seguiram os elefantes num veículo e gravaram 470 chamamentos de 101 elefantes diferentes, direcionados a 117 destinatários únicos na Reserva Nacional de Samburu e no Parque Nacional de Amboseli.

Os nomes pessoais são uma característica universal da linguagem humana, mas poucos análogos existem noutras espécies. Enquanto golfinhos e papagaios endereçam conspecíficos imitando os chamamentos do destinatário, os nomes humanos não são imitações dos sons tipicamente feitos pelo indivíduo nomeado. Rotular objectos ou indivíduos sem depender da imitação dos sons feitos pelo referente expande radicalmente o poder expressivo da linguagem. Assim, se fossem encontrados análogos de nomes não imitativos noutras espécies, isso poderia ter importantes implicações para a nossa compreensão da evolução da linguagem. Este estudo apresenta evidências de que os elefantes africanos selvagens se endereçam uns aos outros com chamamentos específicos individualmente, provavelmente sem depender da imitação dos chamamentos do receptor.

Foto: africageographic.com

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