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Kambaku

Encontrado no Banhine lagarto raro que se temia extinto após meio século sem registos

Dez 23, 2025 |

Após 53 anos sem observações confirmadas, investigadores redescobriram no sul de Moçambique um lagarto raro, dissipando receios antigos sobre a sua possível extinção.

Uma equipa de investigadores do Endangered Wildlife Trust (EWT) confirmou a sobrevivência do chamado lagarto-da-areia de cauda azul, uma espécie que não era observada desde o início da década de 1970, de acordo com o jornal sul-africano Mail & Guardian.

O réptil, facilmente reconhecível pela cauda de coloração azul intensa, foi descrito cientificamente em 1972, com base em numerosos exemplares recolhidos entre 1966 e 1971.

Nessa altura, sabia-se que ocorria no Parque Nacional de Gonarezhou, no sudeste do Zimbabué, no extremo nordeste do Parque Nacional Kruger, na África do Sul, e na planície de Gaza, em Moçambique.

Desde essa descrição inicial, não houve qualquer registo confirmado da espécie durante mais de cinco décadas, uma ausência que levou à sua classificação como “dados insuficientes” na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), tanto a nível nacional como global. A organização re:Wild incluiu igualmente o lagarto na lista de espécies consideradas “perdidas”.

A redescoberta ocorreu no início deste mês, durante avaliações rápidas de biodiversidade realizadas no sul de Moçambique. Os trabalhos, conduzidos pelo EWT em parceria com a Administração Nacional das Áreas de Conservação, o Museu de História Natural de Maputo e a Peace Parks Foundation, permitiram capturar e fotografar um exemplar no Parque Nacional de Banhine.

Segundo o EWT, estes novos registos confirmam que a espécie continua existente, alargam a área conhecida da sua distribuição até ao Parque Nacional de Zinave e abrem caminho a uma reavaliação do seu estatuto de conservação.

Os investigadores recolheram ainda uma amostra de tecido para análises genéticas, que deverão esclarecer melhor a posição taxonómica da espécie dentro do seu género. Estão previstas novas expedições no terreno para determinar a dimensão e a extensão da população remanescente.

A descoberta vem reforçar uma observação anterior feita em Novembro, quando, durante um levantamento de biodiversidade em Zinave, a equipa avistou um indivíduo que acreditou pertencer à mesma espécie, embora não tenha sido possível capturá-lo ou fotografá-lo.

Os estudos foram financiados pelo Governo do Canadá, através da Global Affairs Canada, no âmbito do projecto Restoring African Rangelands, liderado pela organização Conservation International.

Foto: DR

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