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Estudo confirma que elefantes beneficiam se áreas protegidas estiverem conectadas

Jan 31, 2024 |

As medidas de conservação implementadas um pouco por todo o continente conseguiram deter o declínio da população de elefantes africanos, mas o padrão varia localmente, de acordo com um novo estudo. Segundo uma equipa internacional de investigação a evidência sugere que a solução de longo prazo para a sobrevivência dos elefantes requer não apenas áreas protegidas, mas também a sua ligação para permitir que as populações se estabilizem naturalmente.

O estudo, que inclui dados relativos a Moçambique, publicado na revista científica Science Advances, recolheu estimativas de inquéritos e calculou taxas de crescimento para mais de 100 populações de elefantes na África Austral entre 1995 e 2020, representando cerca de 70% da população global de elefantes.

“Esta é a análise mais abrangente das taxas de crescimento para qualquer população de grandes mamíferos no mundo”, disse o coautor Rob Guldemond, director da Conservation Ecological Research Unit (CERU) na Universidade de Pretória, da África do Sul.

Globalmente, os resultados do inquérito são positivos: há agora o mesmo número de elefantes que há 25 anos, uma vitória rara na conservação num momento em que o planeta perde rapidamente biodiversidade. No entanto, o padrão não é consistente em todas as regiões. Algumas áreas, como o sul da Tanzânia, leste da Zâmbia e norte do Zimbabué, registaram declínios acentuados devido à caça furtiva de marfim ilegal. Em contraste, populações noutras regiões, como o norte do Botswana, estão em crescimento.

“O crescimento descontrolado não é necessariamente uma coisa boa”, diz o coautor Stuart Pimm, Professor Doris Duke de Conservação na Universidade Duke, na Carolina do Norte. “Populações em crescimento rápido podem ultrapassar e danificar o seu ambiente local e revelar-se difíceis de gerir – representando uma ameaça para a sua estabilidade a longo prazo”, acrescenta Pimm.

Além de documentar as taxas de crescimento locais, a equipa analisou as características das populações locais para identificar o que as torna estáveis, ou seja, que não estão a crescer nem a diminuir.

Populações de elefantes em parques bem protegidos, mas isolados, por vezes chamados de “conservação de fortaleza”, crescem rapidamente na ausência de ameaças, mas são insustentáveis a longo prazo. Estes elefantes provavelmente precisarão de intervenções futuras de conservação, como translocação ou controlo de natalidade, que são empreendimentos caros e intensivos.

A equipa descobriu que as populações mais estáveis ocorrem em grandes áreas centrais rodeadas por zonas de buffer. As áreas centrais são definidas pelos seus elevados níveis de proteção ambiental e impacto humano mínimo, enquanto as zonas de buffer permitem algumas actividades, como agricultura sustentável, silvicultura ou caça desportiva. Ao contrário das fortalezas insulares, as áreas centrais estão ligadas a outros parques, permitindo que as manadas se movam naturalmente.

“O crucial é que é necessário uma mistura de áreas com populações centrais mais estáveis ligadas a áreas de buffer mais variáveis”, disse o autor principal Ryan Huang, um doutorado pela Universidade Duke agora a fazer pesquisa pós-doutoral na CERU.

“Estes buffers absorvem imigrantes quando as populações centrais ficam muito altas, mas também fornecem rotas de fuga quando os elefantes enfrentam más condições ambientais ou outras ameaças, como a caça furtiva”, disse Huang.

A ligação de áreas protegidas significa que os elefantes podem mover-se livremente. Isso permite que ocorra um equilíbrio natural sem intervenção humana, poupando aos conservacionistas o uso dos seus recursos limitados para manter o equilíbrio.

Foto: WCS

Mapa: Eurekalert

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