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Kambaku

Estudo diz que afinal não estamos a assistir a uma “sexta extinção em massa”

Nov 4, 2025 |

Um novo estudo revela que, nas últimas cinco centenas de anos, um total de 102 géneros de plantas e animais se extinguiram, a esmagadora maioria em ilhas, e que o ritmo desse processo diminuiu recentemente.

Investigadores da Universidade do Arizona e da Universidade de Harvard analisaram dados da IUCN relativos a géneros biológicos, ou seja, categorias taxonómicas superiores às espécies, e constactaram que, embora se tenha falado frequentemente de uma “extinção em massa” iminente, os dados não evidenciam um aumento acelerado destes eventos nas últimas décadas.

Contudo, o estudo não minimiza as ameaças à biodiversidade, antes apela a uma abordagem rigorosa e proporcional. Segundo os investigadores, embora as extinções de géneros sejam relativamente raras até agora, isso não retira a necessidade de prevenir qualquer perda de vida, reconhecendo o valor intrínseco de cada taxa.

Este trabalho lança, portanto, um novo olhar sobre a crise da biodiversidade: não como uma vaga incontrolável e acelerada de extinções de grupos enteros de organismos, mas como uma tendência mais localizada e menos intensa do que se tem temido, ainda que exigente do ponto de vista da conservação.

Segundo o estudo, que é publicado na PLOS Biology, das 102 extinções registadas, 90 correspondem a animais e apenas 12 a plantas. Destas, cerca de 79 % dos casos envolveram géneros monotípicos (com uma única espécie) e aproximadamente 76 % ocorreram em espécies endémicas de ilhas. Importa sublinhar que, em grupos extensos como os peixes de raios-finos, as répteis escamados, os anfíbios ou os artrópodes, a percentagem de géneros extintos é inferior a 0,5 %.

Além disso, o estudo mostra que o pico das taxas de extinção de géneros ocorreu entre finais do século XIX e início do século XX, e desde então se regista uma tendência de desaceleração, em vez de aumento contínuo.

Os autores explicam que esta distribuição concentrada em ilhas é importante porque os géneros que desaparecem nesses contextos, embora trágicos do ponto de vista naturalístico, têm impacto limitado no conjunto global dos serviços ecossistémicos. Assim, defendem que os conceitos de “colapso da civilização” baseados apenas na extinção de géneros não estão suportados por estes dados.

Foto: Imagem de um Quagga, um parente da Zebra, que existiu na África do Sul e que foi extinto divido a caça exaustiva no final do século XIX. Crédito: pofoto.club

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