Nov 11, 2025 |
Uma investigação científica revelou que barbatanas de espécies criticamente ameaçadas continuam a ser vendidas em larga escala, apesar das proibições internacionais impostas pela CITES.
O novo estudo publicado na revista Science Advances revelou graves falhas no cumprimento das regras internacionais que regulam o comércio de espécies marinhas ameaçadas, mostrando que tubarões protegidos continuam a ser negociados ilegalmente em mercados da Ásia, nomeadamente em Hong Kong, o maior centro mundial de comércio de barbatanas.
A investigação, conduzida por cientistas do Mote Marine Laboratory, Florida International University e da Wildlife Conservation Society (WCS), demonstra que espécies como o tubarão-galha-branca-oceânico e os tubarões-martelo, incluídos há mais de uma década no Apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), continuam a surgir em quantidades alarmantes no comércio internacional.
Segundo o estudo, até 95% do comércio global da galha-branca-oceânica é ilegal, e as barbatanas desta espécie são setenta vezes mais frequentes nos mercados do que os números oficiais reportados à CITES. Já as dos tubarões-martelo são dez vezes mais comuns do que o registo das autoridades internacionais.
A equipa analisou mais de 16 mil amostras de barbatanas recolhidas entre 2015 e 2021, utilizando tecnologia de ADN para identificar as espécies, e concluiu que as espécies protegidas surgem em 6,5% das amostras, valor muito superior ao declarado oficialmente pelos governos.
O estudo também mostra que muitos países exportadores reportam zero comércio destas espécies, apesar das provas genéticas indicarem o contrário, o que, segundo os autores, evidencia uma falha sistémica na aplicação das normas internacionais.
O trabalho, apoiado pelo Shark Conservation Fund, reforça o apelo da comunidade científica e de organizações ambientais para que a CoP20 da CITES adopte medidas mais rigorosas, incluindo a reclassificação de espécies para o Apêndice I e o reforço da aplicação das leis de pesca e comércio internacional, essenciais para travar a extinção impulsionada pelo comércio ilegal de vida marinha.
Foto: saveoursharks-sos.org




