Skip to main content

Kambaku

Estudo inovador usa som para identificar leopardos

Mar 25, 2025 |

Um estudo inovador revelou uma nova forma de identificar leopardos através da análise dos seus rugidos. Esta abordagem pioneira promete transformar a monitorização e conservação desta espécie ameaçada.

A pesquisa, conduzida no Parque Nacional de Nyerere, na Tanzânia, e publicada na revista Remote Sensing in Ecology and Conservation, demonstrou que cada leopardo possui uma vocalização única, permitindo a sua identificação com uma taxa de sucesso de 93%.

Os leopardos são animais solitários e de hábitos maioritariamente nocturnos, tornando-se difíceis de avistar tanto para turistas como para cientistas. A dificuldade em determinar o número exacto de indivíduos numa população local tem prejudicado os esforços de conservação, especialmente tendo em conta que a espécie está classificada como vulnerável na Lista Vermelha da IUCN.

Tradicionalmente, os investigadores utilizam armadilhas fotográficas para identificar leopardos, uma vez que cada indivíduo apresenta um padrão de manchas único. No entanto, este novo estudo propõe um método alternativo: a utilização de sons como ferramenta de identificação, como conta a Africa Geographic.

Durante 62 dias, uma equipa de investigadores monitorizou uma área de aproximadamente 450 km² no Parque Nacional de Nyerere, combinando armadilhas fotográficas com unidades de gravação autónomas denominadas CARACALs. Estas unidades registaram continuamente os sons do ambiente, permitindo aos cientistas correlacionar imagens de leopardos com os seus rugidos característicos.

Os investigadores identificaram 42 leopardos individuais através desta metodologia inovadora, demonstrando que a monitorização acústica pode ser uma ferramenta eficaz na conservação da espécie. Segundo Jonathan Growcott, doutorando na Universidade de Exeter e autor principal do estudo, a ideia surgiu a partir da observação de que outros grandes carnívoros, como leões e hienas, possuem vocalizações distintas. “Era lógico explorar essa possibilidade nos leopardos”, afirmou.

A monitorização acústica apresenta várias vantagens em relação aos métodos tradicionais, como a marcação com coleiras. Trata-se de uma abordagem menos invasiva e potencialmente mais eficiente para estimar populações e rastrear movimentos individuais. No entanto, a implementação inicial exige um investimento significativo em equipamentos, ainda que os custos possam ser diluídos ao longo dos anos.

Foto: thesaintshub.com

NEWSLETTER DO MUNDO NATURAL

Subscreva a nossa newsletter e receba notícias do mundo natural.