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Kambaku

Estudo prova que recifes determinam distribuição de tubarões e raias no sul de Moçambique

Abr 14, 2026 |

Um novo estudo científico realizado entre Inhambane e Benguerra, Bazaruto, revela que a estrutura dos recifes e as comunidades de peixes influenciam diretamente a presença de tubarões e raias.

Esta nova investigação, publicada na revista Scientific Reports, do grupo Nature, traz evidência robusta sobre o papel determinante dos recifes de coral na distribuição de tubarões e raias ao longo da costa sul de Moçambique, reforçando a necessidade de uma abordagem integrada à conservação marinha.

O estudo, liderado por Calum J.G. Murie da Universidade de Chester (UC) e coassinado por Mario Lebrato, do Bazaruto Center for Scientific Studies (BCSS), Livia Gavard, da Undewater Africa, Inhambane, e Simon P. Oliver (UC), analisou durante um ano quatro recifes na região, combinando monitorização por vídeo subaquático, avaliação da cobertura de coral e levantamento das comunidades de peixes. A investigação contou ainda com o contributo do Bazaruto Center for Scientific Studies e da Underwater Africa.

Os resultados demonstram que a presença destes predadores marinhos, conhecidos como elasmobrânquios, não ocorre de forma aleatória, estando directamente associada às características ecológicas dos recifes. Em particular, recifes com diferentes estruturas de coral e níveis de complexidade suportam comunidades distintas de tubarões e raias.

A investigação evidencia também uma relação clara entre as comunidades de peixes e a presença de predadores. Onde a composição de espécies de peixes varia, também variam os padrões de ocorrência de tubarões e raias, confirmando a ligação entre diferentes níveis da cadeia alimentar.

Outro dado relevante desta investigação prende-se com a complexidade do habitat. Recifes mais estruturados e diversos tendem a oferecer melhores condições para alimentação, abrigo e mobilidade das espécies, reforçando a sua função ecológica. Em contraste, recifes degradados perdem não apenas biodiversidade, mas também a capacidade de sustentar espécies de topo.

Os autores do estudo concluem que a presença de tubarões e raias deve ser entendida como um reflexo do estado global do ecossistema, e não como um fenómeno isolado. Assim, a sua conservação depende directamente da protecção simultânea dos corais e das comunidades de peixes.

O estudo surge num contexto particularmente crítico para o Oceano Índico Ocidental, uma das regiões mais vulneráveis às alterações climáticas. O aumento da temperatura do mar, os episódios de branqueamento de corais e as mudanças nos padrões oceanográficos colocam pressão crescente sobre estes ecossistemas.

Neste quadro, os dados de longo prazo assumem um papel central. A investigação destaca a importância de plataformas como o Observatório Oceânico do BCSS, no Arquipélago do Bazaruto, que integra monitorização contínua de corais, peixes e variáveis ambientais, permitindo análises ecológicas mais completas e sustentadas.

Este tipo de infraestruturas científicas permite identificar mudanças nos ecossistemas, compreender dinâmicas predador-presa e apoiar decisões de gestão e ordenamento do espaço marinho, num momento em que a resiliência dos oceanos depende cada vez mais de conhecimento científico sólido.

Para Moçambique, as implicações são evidentes uma vez que a conservação dos recifes deve ser pensada numa lógica de conectividade ecológica, onde a proteção dos habitats é condição essencial para a preservação das espécies. Ao mesmo tempo, o estudo reforça a necessidade de políticas baseadas em dados e de investimento continuado em investigação científica marinha.

A publicação insere-se num esforço crescente de produção científica na região do Índico Ocidental, que procura aprofundar o conhecimento sobre as relações ecológicas nos recifes e apoiar estratégias de conservação mais eficazes num contexto de rápida transformação ambiental.

Fotos: BCSS

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