Set 16, 2025 |
Um novo estudo defende que o Parque Nacional do Limpopo tem registado melhorias significativas nos ecossistemas, embora ainda enfrente desafios no convívio da vida selvagem com as comunidades locais.
O estudo intitulado “Analyzing the sustainability of the environmental and socio-economic externalities of the Limpopo National Park (Mozambique) since its institution” foi publicado na revista Frontiers in Conservation Science.
Os autores do estudo analisaram as externalidades ambientais e socio-económicas resultantes da institucionalização do PNL, membro do Grande Parque Transfronteiriço do Limpopo, também com áreas protegidas na África do Sul e Zimbabwe, focando as fases de estabelecimento, os impactos sobre as comunidades residentes, e os conflitos gerados por interação entre humanos e fauna selvagem.
O estudo revela que, apesar de a reintrodução de espécies animais e a redução da caça comercial terem contribuído para a recuperação dos ecossistemas, muitos habitantes dependem ainda da agricultura de subsistência, que pode sofrer prejuízos devido a ataques de animais selvagens aos campos e ao gado. O estudo aponta ainda para o processo de reassentamento de comunidades que viviam naquela área protegida.
Outro ponto identificado é a dependência excessiva de financiamento externo. A gestão do parque tem contado largamente com donativos internacionais e parcerias, o que pode colocar em risco a sua sustentabilidade a longo prazo.
Os investigadores propõem uma estratégia de gestão que integre práticas tradicionais para repelir a fauna selvagem, reduzindo a fragmentação de habitat e minimizando os conflitos humanos-fauna, ao mesmo tempo que se assegura o acesso a formas de vida compatíveis com a conservação.
O estudo sugere que futuras políticas devem assentar em participação comunitária, transparência institucional e mecanismos inclusivos de governação, de modo a equilibrar objectivos ecológicos com justiça social e resiliência económica das populações locais.
O estudo é da responsabilidade de Juvência Yolanda Malate — CITAB (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal) e Instituto Politécnico Superior de Gaza, Moçambique, Angelo Fierravanti — UTAD, Departamento de Florestas e Arquitectura Paisagista, Portugal, Almeida Alberto Sitoe — Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da Universidade Eduardo Mondlane, Maputo, Moçambique, Manuel Luís Tibério — Departamento de Economia, Sociologia e Gestão, UTAD, Portugal e Luís Filipe Gomes Lopes — UTAD e Centre for Transdisciplinary Development Studies, Vila Real, Portugal
O artigo refere contributos de doadores internacionais e parcerias no quadro do Grande Parque Transfronteiriço do Limpopo, incluindo instituições como a Peace Parks Foundation e financiamentos externos para programas de restauro da fauna selvagem e para reduzir o abate comercial de animais.
Foto: pibig.info




