Nov 19, 2024 |
Um novo estudo publicado na African Journal of Ecology lança luz sobre a dieta e o comportamento predatório das orcas em águas tropicais, uma área pouco explorada da sua ecologia.
A investigação, liderada por Maeva Terrapon, da Universidade de St Andrews, com a colaboração das Dras. Steph Venables e Andrea Marshall, ambas ONG sedeada no Tofo, Inhambane, Marine Megafauna Foundation, entre outros, documenta episódios inéditos de orcas (Orcinus orca) a caçarem raias e um tubarão no Canal de Moçambique.
Entre as presas identificadas encontram-se uma manta gigante (Mobula birostris), uma raia-diabo (Mobula tarapacana) e um tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier), espécies que nunca tinham sido relatadas como parte da dieta destes cetáceos na região.
As orcas, frequentemente apelidadas de “gigadelfins” devido à sua posição no topo da cadeia alimentar marinha, são conhecidas pela sua dieta variada e estratégias de caça sofisticadas. Contudo, em zonas tropicais, como o sudoeste do Oceano Índico, o conhecimento sobre o que estas predadoras consomem e como interagem com o ecossistema é ainda limitado.
As orcas são avistadas apenas ocasionalmente em Moçambique, sendo escaços os avistamentos com registos espaçados no tempo.
A equipa de investigação analisou registos ocasionais de avistamentos na região – em localizações como o Arquipélago do Bazaruto, a ilha francesa de Mayotte e Durban, na África do Sul –, que são uma fonte crucial para compreender a ecologia alimentar das orcas em locais com menor densidade de estudos científicos. Segundo os autores, a documentação destas interações é essencial para perceber o impacto que as orcas podem ter nas populações de presas e nos ecossistemas tropicais.
A caça de espécies como a manta gigante e o tubarão-tigre sublinha o papel das orcas enquanto predadoras de topo, capazes de influenciar diretamente a dinâmica das populações marinhas. Este comportamento pode ter implicações em cascata nos ecossistemas locais, afetando desde as populações de presas até os seus habitats.
Os investigadores destacam que, além de fornecer novos dados sobre a dieta das orcas, este estudo reforça a importância de monitorizar estas interações em águas tropicais. Tais esforços podem ajudar a proteger tanto as orcas como as espécies com as quais interagem, muitas delas em risco devido à pressão pesqueira e às alterações climáticas.
Este trabalho é mais um contributo significativo para o crescente corpo de conhecimento sobre as orcas em habitats tropicais, incentivando futuras investigações que possam desvendar ainda mais sobre o comportamento destes fascinantes predadores.


Fotos: African Journal of Ecology/DR




