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Estudo revela que Baleias Francas Austrais apresentam perda de peso significativa

Jun 25, 2023 |

As Baleias Francas Austrais (Eubalaena australis), que procuram as águas costeiras da África do Sul e de Moçambique para dar à luz, estão 23% mais magras em média do que as que realizaram a mesma jornada há 30 anos. De acordo com um estudo publicado na revista científica Scientific Reports existirá uma ligação entre a diminuição da disponibilidade da sua principal fonte de alimento, o Krill Antártico (Euphausia superba), no oceano Antártico e a perda de peso.

O Krill Antártico é uma espécie de animal invertebrados semelhante ao camarão que existe no oceano em grandes quantidades sendo estes pequenos crustáceos uma componente importante do zooplâncton que alimentam baleias e tubarões-baleia, entre outras espécies de grande porte.

Citada pela revista Nature, esta é a primeira pesquisa a confirmar que as mudanças climáticas no oceano Antártico têm um impacto físico notável no estado dos “alimentadores de capital” (animais que se alimentam apenas em momentos específicos do seu ciclo de vida) ao redor da Antártica.

A equipa baseou os seus cálculos em séries de fotografias aéreas tiradas de helicópteros (20 baleias-francas-austrais em lactação que visitaram as águas da África do Sul em 1988 e 1989) e com o auxílio de um drone (27 outras baleias que visitaram as águas da África do Sul em 2019 e 2021). Estas medidas fotogramétricas especializadas visam obter as medidas corporais de uma amostra desses mamíferos.

Els Vermeulen, do Mammal Research Institute Whale Unit da Universidade de Pretória, na África do Sul, explica: “A motivação das baleias-francas-austrais para gastar energia e migrar é tipicamente maior nas fêmeas grávidas que desejam dar à luz e criar os seus filhotes em baías com águas mais quentes e protegidas de predadores.”

A população total de baleias-francas-austrais na África do Sul é estimada em cerca de 6.470 indivíduos, segundo um artigo publicado em 2023 no African Journal of Marine Science, o número mais alto desde a proibição oficial da caça em 1935. Em Moçambique, o primeiro registo desta espécie de cetáceo após o fim da caça às baleias ocorreu em 1997. Eram historicamente vistas na baía de Maputo, ilha da Inhaca, Ponta do Ouro e no arquipélago do Bazaruto na época de acasalamento. Atualmente a população mundial é estimada em cerca de 20.000 indivíduos.

Foto: Nature

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