Dez 2, 2025 |
Uma nova investigação agora divulgada indica que os leões africanos produzem duas vocalizações de rugido diferentes, distinção que poderá transformar a forma como a espécie é monitorizada.
O rugido do leão, frequentemente visto como o som mais emblemático da fauna bravia africana, está afinal longe de ser uniforme. O estudo conduzido por Jonathan Growcott, da Universidade de Exeter, do Reino Unido, demonstra que estes felinos emitem o tradicional rugido profundo, mas também um “rugido intermédio”, mais plano e menos variável.
Esta diferenciação, até agora pouco explorada, poderá tornar-se decisiva para estratégias de conservação do leão africano de acordo com este estudo, divulgado pela Earth Touch News/The Conversation.
O estudo procurou aprofundar o conhecimento sobre os diferentes sons emitidos pelos leões durante os chamados “ciclos de rugido”. Estes episódios, que normalmente duram entre 30 e 45 segundos, começam com murmúrios suaves, prosseguem com a alternância de rugidos intermédios e rugidos completos, e terminam com uma sequência de grunhidos. Trata-se de um comportamento essencial na comunicação entre membros da mesma alcateia e na demarcação territorial perante rivais.
O rugido completo é o elemento mais potente e complexo deste ciclo e possui características únicas que permitem identificar cada animal individualmente. Esta singularidade sonora oferece uma oportunidade importante: estimar populações através de registos acústicos. Contudo, distinguir de forma fiável os rugidos completos no meio das restantes vocalizações é um desafio que até peritos podem interpretar de forma subjectiva.
Para ultrapassar esta limitação, a equipa recorreu a inteligência artificial. De acordo com as análises, a aprendizagem automática permitiu classificar as vocalizações em três categorias – rugidos completos, rugidos intermédios e grunhidos, com uma precisão superior a 95%. O novo tipo de rugido revelou-se particularmente útil: surge invariavelmente após o rugido completo e apresenta menor complexidade e amplitude de frequência.
Quando testada na identificação individual de leões através de rugidos completos, a tecnologia atingiu uma exactidão de 94,3%, superando em mais de dois pontos percentuais o desempenho obtido quando a escolha dos sons era feita apenas por ouvido humano. Esta melhoria poderá traduzir-se em avaliações mais rigorosas da densidade populacional e, consequentemente, em acções de conservação mais eficazes.
Embora ainda não seja claro o que cada tipo de rugido pretende comunicar, o estudo confirma que a “linguagem” dos leões é mais intrincada do que se supunha. E enquanto a tradução literal da vida selvagem permanece fora do alcance humano, a capacidade da inteligência artificial para decifrar padrões naturais promete abrir novas janelas para a compreensão e protecção de uma das espécies mais icónicas do planeta.
Foto: media.boydvarty.com




