Skip to main content

Kambaku

Estudo revela que populações de raias estão em declínio acelerado em Moçambique

Out 15, 2024 |

Um novo estudo, liderado por Stephanie Venables, da ONG moçambicana Marine Megafauna Foundation, revelou dados alarmantes sobre o declínio contínuo das populações de raias manta e mobula ao longo da costa moçambicana.

A investigação, que se prolongou por duas décadas, sublinha que estas espécies, já classificadas como ameaçadas, estão em risco crescente de extinção local devido a pressões antropogénicas, incluindo a degradação dos seus habitats e práticas de pesca insustentáveis.

O estudo publicado na SpringerLink, plataforma de periódicos científicos, dá conta que a pesquisa foi realizada nas águas ao largo da Praia do Tofo, na província de Inhambane, um dos maiores pontos de concentração destas espécies a nível global, registou uma queda acentuada nas observações de raias entre 2003 e 2023.

Os dados brutos da Marine Megafauna Foundation mostram um declínio de 99% nos avistamentos de raias manta de recife (Mobula alfredi), uma diminuição de 92,5% nas observações da raia manta oceânica (M. birostris), e uma redução de 81,3% nas avistamentos da raia-diabo-de-cornos-curtos (M. kuhlii).

Mesmo após considerar factores ambientais nos modelos de análise, o declínio manteve-se consistente para as espécies de raias manta de recife e oceânica, sugerindo que factores externos, não contemplados nos modelos, são responsáveis por essas quedas. No caso das raias-diabo-de-cornos-curtos, os modelos sugerem que aproximadamente metade do declínio observado pode ser atribuído a factores ambientais testados, com um declínio ajustado de 36,5%.

Os factores antropogénicos, especialmente a mortalidade causada pela pesca, são apontados como os principais motores por detrás da diminuição dramática destas três espécies ameaçadas. O estudo apela a uma gestão mais eficaz, tanto a nível nacional como internacional, para evitar a extinção local destas raias, cuja população não apresenta sinais de recuperação.

A implementação de medidas de conservação, como a legislação que proíbe a captura, retenção e comercialização destas espécies, estabelecida pelo Regulamento da Pesca Marítima em Moçambique (Decreto No. 89, Série Número 192, 2020), é vista como um passo crucial. No entanto, a aplicação eficaz dessas leis enfrenta desafios significativos, devido à extensão da costa moçambicana e à falta de infra-estruturas e recursos para garantir a fiscalização, especialmente fora dos principais centros de pesca.

O estudo sugere, ainda, que a adopção de práticas responsáveis no turismo marinho, como mergulho e safaris oceânicos, pode ajudar a minimizar o impacto humano nestas espécies. A observância de códigos de conduta que regulem as interacções com megafauna marinha e a limitação do número de barcos e mergulhadores em áreas sensíveis, como estações de limpeza de raias, são medidas essenciais para mitigar possíveis distúrbios.

Este estudo representa uma actualização crítica de uma análise anterior que indicava um declínio de 88% nas avistagens de raias manta de recife entre 2003 e 2011. Ao aumentar o intervalo de tempo e o número de levantamentos realizados, os investigadores conseguiram não só confirmar a queda contínua das populações de raias manta de recife, como também revelar uma tendência preocupante nas populações de raias manta oceânicas, que anteriormente não demonstravam um padrão claro de declínio.

Dada a gravidade dos resultados, os autores apelam a uma acção imediata, sugerindo a inclusão das raias mobulídeas no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES), de modo a proibir completamente o comércio comercial destas espécies a nível global.

Foto: MMF

NEWSLETTER DO MUNDO NATURAL

Subscreva a nossa newsletter e receba notícias do mundo natural.