Mar 4, 2025 |
Um estudo realizado no Greater Kruger e em Hoedspruit alerta para a influência dos elefantes na disponibilidade de árvores cruciais para a sobrevivência do abutre-das-costas-brancas (Gyps africanus), espécie criticamente ameaçada.
O estudo, publicado na revista científica Wildlife Biology, analisou o impacto dos elefantes africanos (Loxodonta Africana) nas árvores, revelando que a pressão exercida pelos paquidermes pode afectar a sustentabilidade das populações de abutres.
A investigação, conduzida entre 2008 e 2020, mas só agora divulgada, avaliou as espécies arbóreas utilizadas pelos abutres e comparou o efeito da presença de elefantes em diferentes habitats. Os resultados indicaram que os abutres preferem árvores de grande porte, que oferecem maior estabilidade para a nidificação.
As árvores situadas em zonas ribeirinhas tendem a ser mais altas e sofrem menor impacto dos elefantes em comparação com as localizadas em zonas de matagal, onde a atividade dos elefantes é mais intensa.
A espécie Senegalia nigrescens, uma das mais utilizadas pelos abutres para nidificação, revelou-se particularmente vulnerável aos danos causados pelos elefantes, nomeadamente pelo descasque da casca. No entanto, a investigação concluiu que, apesar de os elefantes influenciarem a altura das árvores, apenas um número reduzido de árvores morreu durante o período do estudo. Em contraste, um maior número de ninhos foi destruído por rajadas de vento fortes, destacando a importância de outros fatores ambientais na persistência dos ninhos.
O declínio das populações de abutres em África tem sido amplamente atribuído a envenenamentos, colisões com infraestruturas e utilização dos seus corpos em medicina tradicional. No entanto, este estudo sugere que a disponibilidade de árvores adequadas para nidificação também desempenha um papel crucial na sobrevivência da espécie. Dado que mais de 50% da distribuição dos abutres ocorre em áreas protegidas, a monitorização da taxa de queda de árvores e das dinâmicas de regeneração será essencial para prever futuras escassezes de locais de nidificação.
Os autores do estudo recomendam que futuras investigações avaliem os limiares de impacto dos elefantes nas árvores utilizadas pelos abutres, especialmente à medida que as populações de elefantes continuam a crescer em determinadas áreas protegidas. Compreender esta relação complexa é fundamental para a gestão eficaz do habitat e para garantir a preservação a longo prazo do abutre-das-costas-brancas, uma espécie de grande importância ecológica na savana africana.

Foto: portailsudmaroc.com
Infografia: Wildlife Biology




