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Kambaku

Expedição ‘taga’ tubarões e raias no Bazaruto

Jun 17, 2025 |

Uma equipa de investigadores concluiu recentemente uma expedição bem-sucedida na Ilha de Linene, no Bazaruto, com destaque para a marcação e estudo de vários exemplares de diversas espécies de tubarões e raias.

A iniciativa integra-se num programa contínuo de investigação da African Shark Diaries, organização especializada no estudo e preservação de espécies de tubarões e raias no continente africano.

A missão teve como objectivo principal recolher dados para projectos de conservação, numa das zonas marinhas mais biodiversas da África Oriental, de acordo com a African Shark Diaries.

Entretanto, a equipa da African Shark Diaries em Moçambique concluiu uma expedição revolucionária na área conhecida como The Sanctuary, onde foram marcados exemplares criticamente ameaçados de raia-viola (bottlenose wedgefish) — um passo crucial para a protecção desta espécie extremamente rara.

Este trabalho avança o projecto da Zona de Protecção de Tubarões e Raias, com o apoio do Shark Conservation Fund, e visa o estabelecimento de uma zona sem redes de pesca, criando um refúgio vital para os elasmobrânquios.

A missão foi liderada pela gestora de investigação da Marine Megafauna Foundation (MMF), Nilza de Catarina, e por Steph Venables, que colaboraram com o Dr. Ryan Daly, Rob Kyle da SAAMBR (South African Association for Marine Biological Research), os gestores da Sanctuary, Dave e Taryn Gilroy, e os skippers locais Zito Nhamirre e Zito Sarmento.

A chegada da equipa à ilha de Linene coincidiu com as melhores condições meteorológicas esperadas para a duração da expedição. Apesar de alguma dificuldade em atravessar canais rasos com a maré morta, a operação decorreu como planeado.

Como conta Rob Kule, um dos investigadores que estiveram em Moçambique, logo na primeira noite foram capturados e marcados dois exemplares de raia-viola-de-pintas-brancas, também conhecida por viola-pintada.

Também foram registadas capturas de tubarões-de-pontas-negras, demonstrando a diversidade marinha da região. Todos os exemplares foram, naturalmente, libertados após o processo de marcação.

As marcações foram realizadas com recurso a um sistema especialmente desenvolvido: um estirador com água do mar, colocado num buraco escavado na praia, onde os animais permanecem protegidos e em segurança durante o processo.

Após a primeira captura, o foco passou a ser encontrar um exemplar de maior porte — missão cumprida com a captura de uma fêmea com cerca de 2,30 metros, posteriormente marcada e libertada em segurança.

A expedição, para além da marcação de tubarões-serra, proporcionou momentos memoráveis de contacto com a vida marinha. Um dos pontos altos foi o encontro com dois tubarões-baleia, um dos quais uma fêmea de grandes dimensões que se aproximou da embarcação. A equipa interrompeu momentaneamente as actividades científicas para mergulhar com o animal — um comportamento raro e marcante, considerando o declínio de avistamentos desta espécie nas costas de KwaZulu-Natal, local de origem da equipa de investigadores, nos últimos anos.

Outro aspecto relevante foi a biodiversidade observada junto ao cais do alojamento da equipa, numa zona interdita à pesca, onde se avistaram grandes cardumes de peixes tropicais e recifais.

Esta missão reforça a importância de Bazaruto como uma zona prioritária para a conservação marinha em África e demonstra o valor de acções científicas bem coordenadas para garantir o futuro das espécies oceânicas mais vulneráveis.

Foto: Demorgen.be

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