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Kambaku

Fauna marinha volta a ser mapeada do ar em Inhambane

Set 29, 2026 |

Pela primeira vez numa década, a distribuição dos tubarões-baleia na costa de Inhambane foi mapeada do ar, com três pontos de concentração identificados em a São Sebastião, Pomene e Tofinho.

A equipa responsável fez a primeira ronda de voos de monitorização em avião de asa fixa no corredor entre Závora e San Sebastian, ao longo de dois dias, de acordo com a Marine Megafauna Foundation (MMF)

A MMF estuda os tubarões-baleia de Inhambane desde 2005 e segundo esta organização baseada no Tofo, em Inhambane, os tubarões-baleia concentram-se junto àquelas três áreas específicas. O estudo é liderado por Olivia Patterson, coordenadora de projectos de conservação da Marine Megafauna Foundation e investigadora principal deste programa de monitorização.

Os voos mapearam também uma forte presença de redes de emalhar. Segundo a organização, as zonas com maior densidade de redes coincidem directamente com os pontos onde a megafauna se concentra. Uma das imagens recolhidas mostra um tubarão-baleia com uma rede enrolada na cauda, que o animal arrastava enquanto nadava. A MMF descreve o registo como uma prova documentada da ameaça que o projecto se propôs investigar.

Em Janeiro de 2021 o tubarão-baleia passou a ter protecção legal total em Moçambique. A espécie está classificada como Em Perigo na Lista Vermelha da UICN, uma avaliação que se baseou em parte na investigação feita em Moçambique. Por fotoidentificação, a MMF já contou mais de 600 tubarões-baleia nas águas de Inhambane.

Durante os voos foram também registadas baleias-jubarte a amamentar crias recém-nascidas, raias-manta de recife e raias-manta gigantes, várias espécies de golfinhos e de tartarugas marinhas, e um peixe-guitarra da espécie Rhynchobatus australiae, que está classificada como Criticamente em Perigo. A equipa destaca ainda a observação de uma raia-águia-ornamentada, uma espécie rara.

A costa de Inhambane é considerada pela UICN uma área marinha de importância global excepcional e é reconhecida como potencial Património Mundial da UNESCO. Em Janeiro de 2022 foi declarada Hope Spot pela Mission Blue, a organização da oceanógrafa Sylvia Earle. Na altura, a Mission Blue apontou o uso das redes de emalhar, relativamente recente na região, como um dos factores por trás das quebras documentadas nos avistamentos de raias-manta, tubarões-baleia, peixes-guitarra, tartarugas e dugongos. Andrea Marshall, co-fundadora da MMF, disse então à Mission Blue que “The Inhambane Seascape is an area of incalculable importance, it’s the marine Serengeti of Africa” (A Paisagem Marinha de Inhambane é uma área de importância incalculável, é o Serengeti marinho de África).

Estão previstas mais duas rondas de levantamentos, em Novembro e em Março. O trabalho é conduzido pela equipa de tubarões-baleia da MMF, que integra os investigadores Simon Pierce e Clare Prebble.

Fotos: MMF

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