Ago 26, 2024 |
O Parque Nacional de Gilé (PNG), localizado na província da Zambézia, recebeu 48 dos 200 búfalos que estão a ser translocados da Reserva Nacional de Marromeu, na província de Sofala. Esta é a maior translocação de búfalos alguma vez realizada em Moçambique que levou meses a planear.
A transferência dos 200 búfalos, que está a ocorrer ao longo do mês de Agosto, é realizada pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), em coordenação com o parceiro de assistência técnica Fondation François Sommer (FFS – IGF) e a União Europeia, por meio do Programa PROMOVE Biodiversidade, gerido pela Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND).
Actualmente, o parque abriga uma população estimada em 150 búfalos. Esta translocação de grande escala tem como objectivo aumentar a diversidade genética e fortalecer a população de búfalos na região, contribuindo para a conservação e biodiversidade do parque.
A operação de chegada dos animais foi acompanhada pela Secretária de Estado da Zambézia, Cristina Mafumo, que expressou a esperança de que a chegada dos búfalos atraia turistas para o PNG e para a província de modo geral: “é um grande desafio que o Parque Nacional do Gilé tem, tendo em conta os objectivos que nós almejamos encontrar, que é impulsionar o turismo na nossa província. Vamos receber os nossos turistas para virem ver os animais, contribuindo desta forma para o nosso processo de desenvolvimento económico, mas também de elevar o nome da nossa província através dos nossos turistas”.
O Director-Geral da ANAC, Pejul Calenga, destacou que “este é um processo que faz parte do programa de reabilitação a nível da rede nacional das áreas de conservação dos ecossistemas. Para o caso específico do Parque Nacional do Gilé, a ANAC começou em 2012 onde tivemos a oportunidade de translocar alguns búfalos, zebras e boi cavalos e pelo constrangimento que tivemos no âmbito da COVID-19 e Ciclones tivemos que abrandar este processo de translocação e neste momento pretendemos assegurar que os 200 búfalos possam reproduzir e aumentar a sua população e restaurar os ecossistemas e as funções ecológicas trazendo os animais que em algum momento já habitavam aqui no Parque Nacional do Gilé”.
Pejul Calenga acrescentou ainda que a ANAC quer ir mais longe: “como é sabido, o Parque Nacional do Gilé já teve outrora, rinoceronte e queremos também num futuro longínquo e acredito que vamos criar estas condições restaurar e colocar cá, os cobiçados ‘Big fives’, isto é, búfalos, leopardos, leão, elefante e rinoceronte. A nossa prespectiva é criar um conjunto de atractivos que possa atrair os nossos investidores para que tenhamos oportunidades de geração de renda e com base nisso também criar alguma capacidade por parte das comunidades de poderem tirar todo proveito desta cadeia de valores de economia de vida selvagem. Temos arredor do nosso Parque Nacional do Gilé, um projecto da coutada de Mulela e entendemos que com esta translocação de animais estarão criadas as condições para que haja fluxo de animais que voltem a povoar a coutada de Mulela”.
De acordo com Alexandra Jorge, Directora de Programas da Biofund, “esta é uma translocação muito importante para nós, é a primeira vez que a BIOFUND está envolvida numa translocação. Esta é uma translocação de grande dimensão, é parte de um projeto chamado Promove Biodiversidade, financiado pela União Europeia e também por outros parceiros, IGF, AFD, todos têm colaborado. Estamos a trabalhar estreitamente com a ANAC, Administração Nacional das Áreas de Conservação, e naturalmente com o Parque, não só o Gilé como também Marromeu”.
Actualmente o Parque Nacional do Gilé conta com diversas espécies de grande porte como elefantes, búfalos e diversas espécies de aves, répteis e anfíbios nas suas savanas, florestas de miombo e vegetação ribeirinha. A sua localização, próxima às praias de Pebane e Moebase, ao Gurué, e à Ilha de Moçambique, torna-o um destino ideal para quem procura contacto com a natureza. O parque ainda conta com atracções como fontes de águas termais e o Monte Pope, além de oferecer acomodações no acampamento turístico de Lice, nas margens do Rio Lice.
A gestão do Parque é realizada em colaboração entre o Governo de Moçambique, por meio da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), e a Fondation François Sommer (FFS – IGF), uma organização sem fins lucrativos. Anteriormente classificado como Reserva Nacional, o Parque Nacional do Gilé foi recategorizado em 2020 para se adequar às novas leis de conservação do país, consolidando sua importância no panorama das áreas protegidas de Moçambique.



Fotos: PNG/ANAC




