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Kambaku

Gobião ‘moçambicano’ vence categoria nos World Nature Photography Awards 2026

Mar 10, 2026 |

Vinte imagens vencedoras dos prémios internacionais revelam a natureza como expressão artística numa edição em que um pequeno peixe de nome moçambicano recebeu o ouro.

A edição de 2026 dos World Nature Photography Awards distinguiu duas dezenas de fotografias que cruzam ciência e arte para contar histórias intensas do mundo selvagem. Entre olhares cúmplices, gestos de protecção e instantes raros captados na natureza, a galeria deste ano evidencia a força narrativa da fotografia de conservação.

O nome de Moçambique surge com a vitória na categoria Nature Art, da imagem do Gobião, cientificamente designado Pleurosicya mossambica, em inglês Mozambique ghost goby. A fotografia, da autoria do britânico Simon Biddie, destacada pela KAMBAKU, retrata um pequeno peixe quase invisível camuflado entre os tons alaranjados de um coral.

Descrito como “um fantasma escondido no recife”, este peixe minúsculo utiliza estratégias de camuflagem para escapar a predadores. O seu corpo translúcido funde-se com as estruturas do coral, deixando apenas visíveis dois olhos arredondados que espreitam como botões espectrais no meio de um mar de cor-de-laranja.

A espécie foi descrita pela primeira vez em 1959 pelo ictiólogo sul-africano J. L. B. Smith. O nome do género, Pleurosicya, deriva das palavras gregas “pleura” (lado) e “sikya” (pepino), enquanto o epíteto “mossambica” faz referência a Moçambique, região onde foi inicialmente identificada.

Com apenas cerca de 2 a 3 centímetros de comprimento, apresenta coloração encarnado-pálida e corpo parcialmente translúcido. Possui sete espinhos dorsais e barbatanas pélvicas adaptadas em forma de ventosa, permitindo-lhe fixar-se aos corais em zonas de forte corrente. Os olhos proeminentes, com anéis vermelhos e amarelos, estão posicionados em ângulo, ampliando o campo de visão enquanto procura plâncton.

Distribuída pelo Indo-Pacífico ocidental, desde o Mar Vermelho e costa oriental africana até Fiji, Ilhas Marquesas, sul do Japão e sudeste da Austrália, esta espécie habita baías costeiras e encostas de recifes entre os 2 e os 30 metros de profundidade.

Apesar de discretos e muitas vezes ignorados, pequenos peixes de recife como Gobião representam cerca de 70% da biomassa piscícola destes ecossistemas. Conhecidos como peixes criptobentónicos, desempenham um papel essencial nas cadeias alimentares marinhas, sustentando espécies de maior porte e reforçando a importância da conservação dos recifes de coral.

Para além desta distinção, a edição deste ano dos prémios apresentou imagens marcantes, como o encontro entre um gorila e uma borboleta, o olhar vigilante de uma leoa com a sua cria e a girafa numa área de conservação no Botswana, uma cria de baleia-de-bossa branca, distinguida com o grande prémio, tal como conta a Green Nature.

Foto: Simon Biddie e World Nature Photography Awards

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